Reprodução/Vatican News
Reprodução/Vatican News

Conhecido como 'padroeiro da internet', Carlo Acutis será beatificado na Itália

Corpo do jovem, que morreu de leucemia em 2006, ficará exposto para visita de fiéis até 17 de outubro; Vaticano atribui a ele milagre feito em Mato Grosso do Sul

Lucia Morel, Especial para o Estadão

02 de outubro de 2020 | 09h38
Atualizado 10 de outubro de 2020 | 23h14

O jovem Carlo Acutis, mais conhecido como "padroeiro da internet", será beatificado no dia 10 de outubro. Ele, que morreu vítima de uma leucemia em 2006, terá o corpo exposto para visita de fiéis no Santuário do Despojamento, em Assis, na Itália - são esperados mais de 3 mil peregrinos. O Vaticano atribui a ele, inclusive, um milagre feito no Estado de Mato Grosso do Sul.

Acutis é associado à internet porque usava as redes para evangelizar e tinha conhecimento de ciência da computação muito acima da média para garotos da idade e para quem não possuía estudos específicos sobre o assunto. Ele estava com 15 anos quando morreu. “Este rapaz foi realmente genial e muitos aspectos da sua vida representam para nós um incentivo”, disse o bispo Dom Domenico Sorrentino, ao site de notícias do Vaticano. 

O Papa Francisco também o citou na exortação pós-sinodal Christus Vivit, como exemplo de alguém que fez um bom uso dos meios digitais para a evangelização.

A veneração ao corpo do jovem terminará às 10h30 do dia 17 de outubro, com uma missa de celebração e o fechamento da sepultura. Devido à pandemia do novo coronavírus, a basílica afirmou que espalhará vários telões pela cidade. O acesso de fiéis e jornalistas às praças de Assis, onde haverá a transmissão da cerimônia, será permitido apenas com inscrição prévia pela internet.  

Acutis tem milagre atribuído a ele no Mato Grosso do Sul

Nascido em Londres e com boa parte da vida trilhando entre Milão e Assis, Acutis tem um milagre atribuído a ele no Mato Grosso do Sul, em 2010, apesar de nunca ter vindo ao Brasil. Uma criança com uma doença congênita teria se curado depois que o avô tocou as roupas do jovem expostas em uma paróquia de Campo Grande.

Além disso, "ele morreu em 12 de outubro, no dia de Nossa Senhora Aparecida (padroeira do Brasil), está numa paróquia em que o padre é brasileiro e tem as irmãs capuchinhas brasileiras que estão cuidando dele", disse a Irmã Francisca, ao site do Vaticano.

O pároco da igreja, Marcelo Tenório, conta que aos três anos de idade, uma criança, filho de fiéis da comunidade, sofria com problemas no pâncreas e vomitava com frequência. Em outubro de 2013, quando a igreja recebeu uma relíquia do jovem italiano - pedaço de roupa - o avô com o neto tocaram na peça e o menino foi curado.

De lá para cá, foram anos até que o milagre fosse confirmado, sendo feitas investigações pelo Vaticano e peritos de lá, que atestaram o feito como milagre atribuído a Carlo, cujo corpo exumado em 23 de janeiro de 2019 foi encontrado sem vestígios de decomposição.

“A criança, tudo que comia vomitava, estava aquém do peso, vivia com toalhinha para limpar os vômitos e numa celebração de bênção, com a relíquia, o avô o levou para tocá-la e a criança falou da própria boca “parar de vomitar” e foi o que aconteceu. Ele parou de vomitar”, disse o padre.

Ele fala que, apesar do menino ter parado de vomitar ainda em outubro de 2013, foi apenas em fevereiro de 2014 que saíram os exames médicos que comprovavam que a doença já não mais existia e a criança havia sido curada.

Foi só a partir de 2014, então, que começou-se a cogitar uma possível beatificação de Carlo, que faleceu aos 15 anos em decorrência de uma leucemia. Em abril de 2018, o Vaticano pediu a abertura de Tribunal Eclesiástico na Arquidiocese de Campo Grande e o caso do milagre começou a ser investigado.

“Foi ouvida a família e a equipe médica do Vaticano pediu novos exames e, então, em junho de 2018, ele foi considerado venerável, até que em novembro de 2019 confirmaram o suposto milagre como milagre e vai ser beatificado em 10 de outubro”, contou padre Tenório.

O sacerdote comentou que os fiéis de sua paróquia, em grande maioria, são devotos de Carlo e que a devoção começou antes de 2013. Na página da comunidade em rede social, há relato ainda de que, na mesma paróquia, outro milagre atribuído a Carlo teria ocorrido. O caso também já está nas mãos do Vaticano.

“Trata-se do jovem Gabriel Terron, nosso cerimoneário. Ele era coordenador dos Carlanis, grupo de jovem que seguia o Carlo. Certa vez ele teve cinco paradas cardíacas, o que o deixou diagnosticadamente em estado vegetativo. Eu mesmo estive com ele no hospital e toquei-o com a Sagrada Relíquia, e hoje ele está bem, em nosso meio, ajudando vez outra a Santa Missa e os médicos não sabem explicar o ocorrido”, diz trecho de testemunho escrito pelo padre. /​COM INFORMAÇÕES DO VATICAN NEWS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.