Conhecidos do "cordial e educado" assassino se surpreendem

Quem conhece o cirurgião plástico Farah Jorge Farah não acredita que a pessoa calma e amável de todos os dias possa ter assassinado uma mulher de modo tão cruel. "Estamos arrasados", afirmou nesta segunda-feira à tarde Roberto Albino Nunes, de 52 anos, gerente de uma ótica e vizinho de Farah. Ninguém sabe explicar como o homem cordial e simpático se transformou em um monstro."Não conseguimos acreditar. Todo mundo gostava dele. Até suas pacientes telefonaram chorando", disse a secretária Idalina Conceição Gandolfo, que trabalha em um consultório médico próximo ao do cirurgião, na Rua Alfredo Pujol, em Santana.Farah trabalhava no prédio 84 daquela rua havia quase 25 anos. Era conhecido na região. Seu quotidiano, quando não estava operando, era chegar às 11 horas na clínica, vindo a pé de seu apartamento, localizado a cerca de 50 metros dali, na Rua Salete. Às vezes parava numa lanchonete e conversava com o vendedor de bilhetes de zona azul Nertan Castro Lima. "Toda segunda-feira ele me dizia que passara o fim de semana rezando na igreja."O cirurgião se convertera à Igreja Adventista do 7º Dia havia quase quatro anos. Na época, pôs uma placa verde na frente do consultório onde se lê: "Leia a Bíblia sagrada e siga todas as palavras de Jesus." Aos amigos, dizia que estava se encontrando na religião.Em abril de 2002, retirou um dos pulmões por causa de um tumor. Passou a andar de bengala. "Ele fez a operação dele pouco antes da minha e sempre me perguntava sobre a minha saúde", afirmou a secretária Idalina.Recentemente, passou a comentar com seus conhecidos que estava sendo vítima de difamação e de chantagem. Para Idalina, disse que estava sendo chantageado. Comentou esse problema pela primeira vez há seis meses. Ao gerente Nunes, Farah disse que uma mulher o estava difamando. "Ele me pediu que o avisasse, caso ela passasse na ótica, mas eu não a conhecia."A última lembrança de quem o viu na sexta-feita é a de um homem abatido. Horas mais tarde, ele cometeria o crime.

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