Conpresp: rebelião na Câmara

Centrão paralisa votações em retaliação ao veto anunciado por Kassab a projeto que modifica conselho

Sérgio Duran e Alexssander Soares, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2030 | 00h00

A reeleição de José de Assis Lefèvre para a Presidência do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (Conpresp) rachou a base de sustentação política do prefeito Gilberto Kassab (DEM) na Câmara Municipal. O grupo chamado de Centrão, que conseguiu eleger a presidência da Câmara, paralisou a votação de projetos em retaliação ao anúncio de veto do prefeito ao projeto que alterou a composição do órgão de defesa do patrimônio histórico municipal. Kassab declarou ser inconstitucional o projeto aprovado por 39 vereadores - articulado pelos integrantes do Centrão - determinando que as decisões do Conpresp fossem submetidas ao Legislativo.Os vereadores do Centrão também articulavam a eleição do vereador Toninho Paiva (PL) - integrante do grupo - para a presidência do Conpresp. O presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues (PL), comandou os acordos políticos, mas acabou atropelado por tucanos ligados ao governador José Serra (PSDB). O resultado foi a reeleição de José de Assis Lefèvre para a presidência do Conpresp, e desde terça-feira a ausência de vereadores do Centrão para garantir o quórum de 28 parlamentares para a votação de projetos de interesse de Kassab.''''É uma retaliação, mas esperamos que não prejudique muito o governo'''', afirmou ontem um dos aliados de Kassab. Um dos tucanos - responsável pela articulação de Lefévre à reeleição do Conpresp - admitiu o clima ruim na base de sustentação, reforçada pelo distanciamento de Kassab no processo de votação. ''''Vamos ver até quando o Centrão agüentará ficar longe do governo'''', disse.O inferno astral na base aliada atingiu o ápice na sexta-feira, quando parte da bancada tucana visitou Kassab. O presidente da Câmara e vereadores do Centrão discutiram rispidamente e trocaram ofensas com tucanos na sede da Prefeitura.A temperatura política será medida hoje no convite aceito por Lefévre para participar da Comissão Parlamentar de Estudos (CPE), criada para analisar o trabalho do Conpresp. Ele afirmou que espera ser pressionado, mas que está disposto a colaborar. ''''Eu acho que faz parte do meu trabalho e do deles. É provável que haja pressão, mas nada com o que eu não saiba lidar. Estou tranqüilo'''', disse Lefévre.

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