Conpresp tomba a Praça Vilaboim

Medida impede verticalização da área e bloqueia expansão da Faap

Pedro Henrique França, O Estadao de S.Paulo

24 Julho 2007 | 00h00

A Praça Vilaboim, no bairro de Higienópolis, região central de São Paulo, foi oficialmente tombada. O anúncio foi feito ontem pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e praticamente acaba com os planos de expansão da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Segundo o Conpresp, a ação reconhece o valor histórico da área e visa a preservar a configuração atual da praça e a vegetação existente, além de proteger toda área que a envolve. No perímetro de tombamento, as construções devem obedecer as alturas máximas de 10 a 12 metros, sendo obrigatória a manutenção dos recuos frontais. Já para o entorno, a altura dos imóveis deve variar entre 7 e 12 metros. A resolução mantém ainda a integração entre a Praça Vilaboim e os bens que a cercam, como o Edifício Louveira, a Vila Marta, a Praça Buenos Aires e o vizinho bairro do Pacaembu. Projetado pelos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi na década de 40, o Edifício Louveira é considerado um ícone modernista. Fica na esquina da Rua Tupi. Atualmente envolta por badalados bares e restaurantes, a Vilaboim surgiu como campinho de futebol. O local era conhecido como Largo ou Praça do Piauí, no entroncamento das Ruas Piauí, Aracaju e Itápolis (atual Rua Armando Penteado, naquele trecho). O espaço foi urbanizado pela Prefeitura de São Paulo por volta de 1930, sendo inaugurado em 21 de setembro de 1937, quando foi nomeada de Vilaboim. Na ocasião, ela recebeu a figueira que ocupa atualmente o centro da praça. Segundo a Prefeitura, o pedido de tombamento data de 1995. Desde aquela época, a praça era protegida pelo Conpresp. Localizada próxima da Faap, a Praça Vilaboim é, ao mesmo tempo, point de encontro de universitários que badalam nos bares e de adultos e idosos que circulam pelos refinados restaurantes. FUNDAÇÃO A inclusão do entorno no tombamento da Vilaboim pôs a pá de cal que faltava nos planos de crescimento da Faap, que fica bem próxima dali. Conter a expansão da universidade foi uma das bandeiras da associação Viva Pacaembu por São Paulo, presidida atualmente pelo engenheiro Pedro Py. O aumento da circulação de veículos à noite, por causados alunos da Faap, tira o sossego dos moradores do Pacaembu. "Na verdade, eles (os donos da Faap) perderam a grande chance de usar os terrenos da frente para se expandir. Agora, não dá mais", diz Pedro. O Estado não conseguiu localizar ninguém da Faap para comentar o assunto. COLABOROU SÉRGIO DURÁN

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.