Conselheiro usou namorada como testa de ferro

Eduardo Bittencourt repatriou dinheiro ilícito por meio da Campo Grande Informática ME, constituída em 17 de maio de 2006 e extinta em 2 de junho de 2008. O conselheiro nomeou "representante legal" da Campo Grande a própria namorada, Jackeline Paula Soares, pivô da separação litigiosa do casal Bittencourt. Jackeline, que o conselheiro nomeou servidora do TCE, "atuava como testa de ferro de Bittencourt, integrando o processo de lavagem de dinheiro". Em seus pouco mais de dois anos de existência, com capital social de R$ 10 mil, a Campo Grande não registrou faturamento nenhum, exceto uma única receita de R$ 402,9 mil. "Instada a comprovar a origem (do valor), a empresa quedou-se inerte", assinala o Ministério Público. O rastreamento mostra que o dinheiro foi repassado a Jackeline em 2006 a título de lucros e dividendos. Tudo não passou de simulação. O montante jamais circulou nas contas da Campo Grande. O dinheiro foi usado, segundo a própria Jackeline, para a compra de um apartamento na Alameda Jaú, 759, Jardins. "Resta evidente que a Campo Grande apenas existiu de direito e com o único fim de servir ao processo de lavagem", acusa a Procuradoria. Por outra empresa, Educa Instituto de Ensino Jurídico, o conselheiro registrou "a propriedade de valiosos imóveis em Campos do Jordão". / F.M.

O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2011 | 03h03

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