Conselho do patrimônio tomba a City Lapa, após 17 anos de discussão

SP passa a ter 10 bairros preservados; preservação atinge perímetro composto por 24 ruas da zona oeste

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

01 de abril de 2009 | 00h00

Dezessete anos depois de ter entrado em discussão, o tombamento da City Lapa (Alto da Lapa e Bela Aliança), bairro de ruas arborizadas, largas e sinuosas na zona oeste de São Paulo, foi aprovado ontem pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). O tombamento impede a modificação do traçado original das vias, mantém a arborização e o ajardinamento e impõe restrições à altura das edificações. Agora, segundo o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), são dez os bairros tombados em São Paulo - além da City Lapa, Pacaembu (tombado em 1992), Sumaré (2005), Jardins Europa, Paulista, Paulistano e América (1991), Interlagos (2004), Jardins Lusitânia (2002) e da Saúde (2002).O tombamento da City Lapa - projetado na década de 1920 pela Companhia City -, consolida a preservação do atual traçado urbano dentro de um perímetro de cerca de 2 milhões de metros quadrados, composto por 24 ruas. Na tentativa de recuperar ainda mais o traçado concebido pela City - contraponto residencial ao bairro vizinho da Barra Funda, essencialmente industrial -, o Conpresp abriu um novo processo de tombamento para outras 11 quadras, não incluídas no pedido inicial de preservação. "A ideia é preservar as características originais do bairro, uma ilha de exceção em meio aos bairros verticais da cidade", disse o diretor do DPH, Walter Pires.Com a aprovação do tombamento dessa área, qualquer construção na City Lapa deve ser realizada seguindo algumas diretrizes e a altura não poderá ultrapassar os 9 metros (veja ao lado). "Todas essas especificações serão fiscalizadas quando o morador for fazer o pedido de autorização para uma reforma, por exemplo", afirma Pires. "Se ficar comprovado qualquer tipo de desrespeito, o responsável será multado." Moradores da City Lapa veem a aprovação do Conpresp como uma "vitória do bom senso" - a análise é de que a aprovação deve ajudar, também, em processos judiciais. "Temos quatro ações na Justiça contra obras que começaram no bairro que desrespeitavam as especificações da Companhia City. O tombamento deve ajudar a terminar de uma vez com os litígios", afirma o arquiteto Roberto Rolnik, presidente da Associação de Moradores do Alto da Lapa e da Bela Aliança.Os moradores ainda apelaram ao Ministério Público, no ano passado, para barrar um projeto da Artesp (agência reguladora de transportes do Estado), que previa a construção de uma alça do Complexo Anhanguera no bairro. "É o fim de uma luta", analisa Rolnik. "É uma vitória também ambiental, pois áreas permeáveis como a da City Lapa são importantes para combater o fenômeno das ilhas de calor", afirma a urbanista Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo.O tombamento impede, também, a ação de incorporadoras, que pretendam unir lotes para construir grandes empreendimentos. " Remembramentos, desmembramentos e desdobros serão analisados pontualmente pelo Conpresp e, nesse caso, dificilmente serão autorizados", afirma Pires.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.