Conselho Tutelar vira abrigo

Em Itaquaquecetuba, conselheiro paga até alimentação de jovens

Luísa Alcalde, O Estadao de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 00h00

O Conselho Tutelar de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, diz não ter para onde mandar crianças e adolescentes em situação de risco ou abandono, porque a cidade não dispõe de nenhum abrigo municipal. As instituições particulares conveniadas com a prefeitura - e para onde eles poderiam ser enviados - estariam sem vagas há um ano, segundo representantes do conselho. A situação obriga os conselheiros a abrigar as crianças na sede do Conselho - de maneira precária, segundo a presidente do órgão, Maildes Ferreira de Holanda, de 26 anos. "As entidades que existem não atendem à demanda", afirma. Segundo ela, no local não há camas, chuveiro ou cozinha. Neste ano, 15 jovens já ficaram abrigados no imóvel.O último abrigamento ocorreu há três meses, quando um adolescente foi obrigado a dormir no chão. Maildes diz que os conselheiros se revezavam para pagar a alimentação. "É uma situação desagradável, vexatória e vergonhosa", denuncia. Pelos cálculos dela, o município precisa de um abrigo com, pelo menos, 60 vagas.Hoje, o Conselho não tem para onde mandar um adolescente que vivia nas ruas da cidade. Ele se envolveu em uma briga e precisou ser internado. O jovem teve alta hospitalar no sábado, mas não tem para onde ir. A família do rapaz é do Espírito Santo e, até agora, não foi localizada. "Se não arrumarem uma vaga até amanhã, vamos enviar um ofício para a Justiça", disse a presidente do conselho. VERBA FEDERALA secretária municipal de Promoção Social, Marina Della Vedova, diz que já existe o terreno e o projeto pronto para iniciar a construção de um abrigo na cidade. Segundo ela, a prefeitura aguarda só a liberação de verbas federais para iniciar as obras. "Que o abrigo é necessário, não há dúvida. Mas não temos nos negado a ajudar em nada o Conselho Tutelar. Tudo o que eles nos pedem, fornecemos. Só nesta gestão, gastamos R$ 600 mil para equipar a sede. Alugamos duas casas para eles."Marina diz que soube esta semana que crianças e adolescentes têm sido abrigadas temporariamente na sede. "E já estamos nos mobilizando para resolver a situação do adolescente que está de alta hospitalar."

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