Consórcio Via Amarela vai processar técnico de soldagem

O Consórcio Via Amarela pretende processar civil e criminalmente o técnico em soldagem Nelson Damásio, contratado pelos próprios empreiteiros para analisar a estrutura metálica da futura Estação Fradique Coutinho da Linha 4 do metrô. Em seu laudo, Damásio apontou existência de trincas, rachaduras e gambiarras na soldagem das vigas e apontou a possibilidade de um ´acidente de proporções imprevisíveis´, na estrutura. ´Como exemplo de posicionamento leviano, podemos citar as declarações irresponsáveis de um técnico em soldas´, diz um trecho de nota de ´esclarecimento público´ que a empresa publicará neste domingo nos principais jornais do País. Damásio disse na sexta-feira, 23, que mantém as informações do laudo. ´Meu trabalho é de inspeção. Quando me convocaram em janeiro, disseram que eu iria ver um monte de coisas erradas. Depois desse laudo, mandaram refazer o serviço.´ Após a divulgação dos problemas na Fradique Coutinho e também no concreto utilizado na Linha 4, as obras foram paralisadas pelo Metrô. O consórcio alega que não há riscos de acidentes na obra e, para ´cada discordância com o projeto ou com os padrões normais´, já foram adotadas ´imediatas providências para o seu saneamento´. O mesmo, segundo o consórcio, vale para as críticas pela compra de uma manta de impermeabilização diferente da licitada. O processo de impermeabilização é o terceiro maior custo na obra de escavação de túneis da Linha 4, segundo planilha de serviços e preços elaborada por técnicos da companhia. Equivale a 15,8% (R$ 30,965 milhões, em valores de novembro de 2004), no trecho que vai da embocadura da Estação Vila Sônia até a Estação Fradique Coutinho. Desse modo, a economia com o uso da manta de 2mm, e não de 3 mm, seria de R$ 3 milhões, conforme mostrou o Estado na quinta-feira. Neste trecho está sendo aplicado um gel impermeabilizante para compensar a diferença. Reunião no senado A suspeita de negligência nas obras do metrô de São Paulo será tema da conversa, na manhã da segunda-feira, 26, de senadores com representantes do Ministério Público. À tarde, os parlamentares se reunirão com os encarregados do consórcio responsável pela obra, formado por cinco empreiteiras. De acordo com o senador Romeu Tuma (PFL-SP), o acompanhamento das investigações do acidente é essencial para o Senado decidir sobre o contrato de Parceria Público-Privada, que aguarda decisão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). ´O Senado está moralmente comprometido com esta obra. ´A ligação, segundo ele, vem da necessidade de avaliar empréstimos contraídos pelo Estado com o Banco Mundial e com uma instituição japonesa para as obras da Linha Amarela, embutidos na parceria. O Ministério da Fazenda pede o aval do Senado para avalizar a capacidade de endividamento de São Paulo, no investimento global de R$ 3,98 bilhões no metrô.

Agencia Estado,

24 Fevereiro 2007 | 08h29

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