Construção de prédios populares em São Sebastião é criticada

"Vão matar a galinha dos ovos de ouro". Foi com esta frase que ambientalistas do Litoral Norte se opuseram ao projeto que pode permitir a construção de predinhos populares em 41 áreas ocupadas irregularmente em São Sebastião, Litoral Norte Paulista. A criação das Zeis (Zonas de Especial Interesse Social), de autoria do prefeito Juan Garcia (PPS), tem tirado o sono dos ambientalistas, dos moradores e também dos turistas que freqüentam a região. O projeto havia sido rejeitado pela Câmara, mas retornou ao Legislativo para ser analisado novamente. A discussão dos especialistas em meio-ambiente aconteceu neste fim de semana durante o Ecoadventur, em Caraguatatuba, onde o tema abordado foi a Mata Atlântica e a responsabilidade de sua preservação.A diretora do Parque Estadual de Ilhabela, Marília Britto de Moraes, lembrou que as áreas onde se prevê a construção de prédios de até cinco andares não têm condições físicas nem geográficas para suportar este tipo de construção e foram tombadas pelo patrimônio paisagístico há cerca de 20 anos. "Desde 1989 sabemos que aqui não existe capacidade física para se ter prédios. É um retrocesso grande e os efeitos nefastos são evidentes". Ela e todas as ONGs do litoral norte e da região Sudeste do Estado defendem uma mobilização contra estas obras. "Nós entendemos que as áreas serão usadas para moradia para a população, mas todo município tem seu limite. E esta é uma péssima solução. O que querem fazer com São Sebastião? Querem que a cidade perca seu potencial turístico?", questionou o ambientalista André Miragaia, que representa todas as Ongs da região Sudeste do Estado. Crescimento populacionalO crescimento populacional no Litoral Norte chega a 8% ao ano. A secretária municipal de meio-ambiente de Ilhabela, Maria Inês Fazzini, município onde apenas prédios com até três andares são permitidos, considerou que a região pode perder sua vocação turística com a verticalização que, na opinião dela, "trará desmatamento e não cabe para São Sebastião, como não cabe para Ilhabela. Essa briga é de todo o Litoral Norte que tem ecossistemas frágeis e não suporta fortes intervenções". O prefeito Juan Garcia defende a criação das Zeis dizendo que a administração pública não pode ficar omissa diante do grave problema da ocupação irregular em 41 áreas e precisa resolver o problema que é social. "Os moradores não podem nem trocar as telhas de suas casas. É a primeira vez que eu vejo alguém querendo ajudar a população carente e sendo escrachado desta forma". Garcia sofreu um atentado na madrugada deste domingo. Oito tiros foram disparados contra o seu carro quando voltava de uma festa com a mulher Rosa Mota e os três filhos. Para ele, trata-se de um crime político encomendado.As propostas do EcoAdventur 2006 serão encaminhadas para os governos federal e estadual, para as secretarias de meio-ambiente, órgãos ligados ao ambiente e também às prefeituras das quatro cidades do Litoral Norte.

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