Construtora nega ter recebido aviso de irregularidade em obra em Brasília

Deslizamento na construção de extensão de hospital de universidade matou três operários nesta quinta, 21

Agência Brasil,

22 Julho 2011 | 17h17

BRASÍLIA - O advogado da Construtora Anhanguera Otávio Carneiro disse à Agência Brasil que a empresa não recebeu qualquer comunicado da Universidade de Brasília (UnB) para paralisar a obra de extensão do Hospital Universitário de Brasília (HUB) por decorrência da falta de segurança. "Infelizmente, não temos nenhum registro na empresa de que ela tenha sido comunicada. Nem verbalmente e muito menos por escrito", afirmou Carneiro. Nesta quinta-feira, 21, três operários morreram soterrados em um buraco que estava sendo aberto pela construtora.

 

O vice-reitor da UnB, João Batista de Sousa, disse que, na última quarta-feira, 20, o fiscal de segurança da universidade Josafá Silva determinou que a parte da obra onde estavam sendo feitas as escavações fosse paralisada, mas o trabalho teria sido retomado logo após o fiscal deixar o local.

 

"Nós estranhamos o fato do senhor Josafá ter emitido essa opinião, porque ele não é engenheiro, nem técnico em segurança do trabalho. Ele é um simples mestre de obra. Acreditamos que ele não tenha conhecimento técnico necessário para fazer uma afirmação dessa gravidade", disse o advogado da empreiteira.

 

De acordo com Otávio Carneiro, a empresa não recebeu nenhuma comunicação sobre qualquer tipo de irregularidade ou de falta de segurança que pudesse pôr em risco a vida dos operários. Segundo o advogado, no momento do acidente, os operários estavam fazendo o escoramento da vala. "A empresa não iria brincar ou arriscar a vida dos funcionários se tivesse sido comunicada", garantiu o advogado.

 

Apesar das afirmações do advogado da Construtora Anhanguera, documento divulgado pela UnB na internet confirma que, no último dia 8, a empresa foi notificada pela falta de escoramento correto na escavação do local onde está sendo implantada a rede de esgoto do prédio do Instituto da Criança e do Adolescente (ICA) do HUB. A UnB suspendeu, temporariamente, o contrato com a construtora e abriu sindicância para investigar as causas do acidente.

 

A Polícia Civil do Distrito Federal abriu inquérito para apurar a responsabilidade da morte dos três operários. Os depoimentos das testemunhas, que começaram a ser ouvidas ontem, serão confrontados com os laudos da perícia técnica e com o histórico da obra. O laudo com as causa do acidente deve ficar pronto em 30 dias.

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