Construtoras elaboram projeto de um 3º aeroporto para São Paulo

Obra ficaria pronta em 3 anos e estaria a 35 km do centro da capital; governador Serra sabe do interesse do consórcio

O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Um consórcio formado pelas construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez elabora, há seis meses, um projeto para construir e administrar um terceiro aeroporto na cidade de São Paulo. O novo aeroporto, que seria uma alternativa a Congonhas e Guarulhos, pode ficar pronto em três anos e custará bem menos do que os R$ 5 bilhões calculados pela Infraero. O governador de São Paulo, José Serra, já sabe do interesse do consórcio, que examina três áreas a 35 quilômetros do centro da cidade, segundo um técnico que acompanha as negociações. A Camargo Corrêa Transporte, braço investidor da construtora, pretende entregar nos próximos meses o projeto para os governos estadual e federal. Em janeiro, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, relatou que ''''estudos embrionários'''' estavam sendo feitos para a construção de um novo aeroporto. Segundo ele, o prazo para a entrega do empreendimento seria de dez anos. Na segunda-feira, um dia antes do acidente com o avião da TAM, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, conversou com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sobre a possibilidade de o banco ajudar na solução da crise aeroportuária. Coutinho lembrou que o banco está impedido de conceder financiamentos ao governo, mas que poderia, sim, dar crédito a consórcios privados. O consórcio, porém, não fez nenhum contato com o BNDES. A Andrade Gutierrez já está envolvida na construção e operação de aeroportos fora do Brasil. Recentemente, ela ganhou a concessão para construir e administrar um aeroporto no Equador com uma empresa americana. Um estudo do Departamento de Transporte Aéreo do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, concluído em 2006, alertava para a urgência de um novo aeroporto em São Paulo até 2015. O professor titular desse departamento, Cláudio Jorge Pinto Alves, explica, porém, que essa estimativa foi feita com base no crescimento de fluxo de passageiros de 2005, em torno de 5%. Hoje, a demanda cresce quase 12%. ''''Não tenho dúvida de que o novo aeroporto é necessário muito antes de 2015'''', diz. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por enquanto não há definição no governo sobre a necessidade de construir outro aeroporto em São Paulo. Ele disse, porém, que, se houver alguma decisão nesse sentido, existe a possibilidade de se fazer uma Parceria Público-Privada (PPP), para viabilizar o projeto. ''''Isso é uma hipótese. Ninguém tomou a decisão ainda'''', ressaltou o ministro. Mantega classificou de ''''robusto'''' o dinheiro previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o setor aeroportuário, mas se recusou a responder se ele será suficiente para enfrentar a crise nos aeroportos.

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