Cônsul da Espanha é destituído por vazar documento

Titular em SP revelou teor de relatório sobre prisão de político em Guarulhos

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

O governo da Espanha destituiu oficialmente o cônsul-geral do país em São Paulo, Fernando Martínez Westerhausen. O motivo foi o vazamento de um documento confidencial destinado ao Ministério de Assuntos Exteriores e de Cooperação de seu país, no qual o diplomata relatou detalhes da prisão na semana passada de um político espanhol no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. O conteúdo foi todo publicado pela agência de notícias Europress. O político Alfredo Prada, de 50 anos, diretor do Partido Popular - de oposição ao governo do primeiro-ministro espanhol José Luiz Rodríguez Zapatero -, foi preso no dia 10 deste mês por desacato. De acordo com a Polícia Federal (PF), Prada se negou a passar dois frascos com líquido, que estavam na bagagem de mão, pelo aparelho de raio X. Após isso, ele desrespeitou funcionários da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e agentes da PF.O Consulado-Geral da Espanha em São Paulo nega que a destituição tenha relação com o incidente. De acordo com o cônsul-adjunto Ignacio García Lumbreras, o motivo teria sido somente o vazamento do relatório "a terceiras pessoas" e que acabou sendo divulgado pela imprensa espanhola. "Eram informações confidenciais que vazaram. Não tem relação com a detenção de Prada ou com um incidente diplomático entre Espanha e Brasil", disse o diplomata, que assumirá provisoriamente o consulado.Fernando Martínez Westerhausen deve deixar a cidade até terça-feira. O consulado-geral informou que um novo diplomata deve assumir seu cargo nos próximos meses. "Haverá rapidamente uma nomeação, porque a comunidade espanhola em São Paulo é grande, de cerca de 60 mil pessoas. Além disso, a cidade é importante centro econômico da América Latina", diz Lumbreras.RELATÓRIOEm entrevista coletiva na manhã de ontem, em Madri, o ministro de Assuntos Exteriores e de Cooperação, Miguel Ángel Moratinos, explicou os motivos da destituição e disse que o próprio Westerhausen assumiu ter vazado o documento. Em seu relato sobre o incidente, o diplomata diz que Alfredo Prada sofreu "maus-tratos" da polícia brasileiro e que o próprio cônsul foi ameaçado por um agente da polícia.Westerhausen também informou o governo espanhol de que a prisão do político tem relação com o conflito diplomático envolvendo os dois países, que teve início quando brasileiros foram barrados em aeroportos da Espanha no início do ano. De acordo com o documento, o problema "não foi resolvido satisfatoriamente e por isso aflora de vez em quando".COM AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.