Consulta a Temer serve para serenar aliados

O PMDB ficou satisfeito com a forma pela qual a presidente Dilma Rousseff tratou a cúpula do partido na montagem da articulação política do governo. Depois de ser surpreendido pela troca de comando na Casa Civil, desta vez o vice-presidente Michel Temer foi avisado na véspera. Ontem, ele e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), foram ouvidos sobre a escolha de Ideli Salvatti para o Ministério de Relações Institucionais.

Christiane Samarco e Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

A deferência de serem ouvidos para tratar da nova coordenação política do governo deixou Temer e Sarney confortáveis. Logo no início da conversa, a presidente foi clara quanto à disposição de fazer sua escolha por conta própria. E citou as qualidades de Ideli, destacando sobretudo a lealdade e a firmeza com que a ex-senadora defendeu o governo Lula, tanto como líder da bancada quanto à frente da liderança do governo no Congresso.

Na noite anterior, Temer já havia conversado com Dilma por cerca de uma hora e meia no Palácio da Alvorada. Ontem, ambos reforçaram que o partido estaria ao lado dela para apoiar fosse quem fosse o escolhido. "A senhora pode contar com o PMDB", tranquilizou Sarney.

A escolha de Ideli para comandar a articulação política também foi bem recebida nos demais partidos da base aliada. Para os líderes governistas, por se tratar de uma escolha pessoal da presidente a nova ministra deverá ter mais peso junto a Dilma e, consequentemente, atender melhor aos anseios dos congressistas.

O líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), disse encarar a troca como "fim da crise" no governo. "A presidente indicou, agora vamos trabalhar. A Ideli foi uma competente líder do governo no Congresso e conhece o Senado como ninguém."

Para o líder do PDT, Giovanni Queiroz (PA), a falta de trânsito da ministra na Câmara não será um problema. "Isso se resolve. Ela tem muita capacidade de decisão, isso é importante." A expectativa agora é que o prestígio de Ideli converta-se em maior articulação do governo com as bancadas no Congresso.

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