Mácio Ferreira/Agência Pará
Mácio Ferreira/Agência Pará

Consultora volta a negar vazamento em Barcarena; instituto contesta

Dados da SGW, contratada pela Hydro, foram apresentados em acareação na Comissão Parlamentar de Inquérito que analisa danos causados por indústrias localizadas às margens do rio Pará

Rita Soares, Especial para O Estado

28 Junho 2018 | 23h50

BELÉM - A Consultora SGW Service voltou a negar que tenha havido vazamento de rejeitos de bauxita e efluentes do processo industrial da empresa norueguesa Hydro, refinaria de alumina com planta em Barcarena a cerca de 100 quilômetros da capital paraense, Belém. A SGW foi contratada pela Hydro para auditar seus procedimentos ambientais após denúncia de vazamento da bacia de rejeitos da companhia.

+ Estudos da Hydro Alunorte foram realizados 34 dias após desastre no Pará

O relatório da SGW é contestado pelo Instituto Evandro Chagas, um dos mais importantes órgãos de pesquisa da Amazônia com estudos na área de meio ambiente e combate a doenças tropicais. Pesquisadores do Evandro Chagas garantem que as águas das bacias em torno da Hydro estão contaminadas por metais pesados como chumbo e arsênio. Dizem ainda que há “sinais evidentes” de que as bacias de rejeitos e os canais em volta transbordaram lançando efluentes não tratados diretamente nos rios da região.

Os dados controversos foram apresentados nesta quinta-feira, 28, durante acareação na Comissão Parlamentar de Inquérito que analisa danos causados por indústrias localizadas às margens do Rio Pará, um dos mais importantes da região Norte. 

 A acareação durou quase quatro horas. A sócia-diretora da SGW Andrea Alunai contou que o trabalho da consultoria consistiu em análises visuais (da situação dos depósitos de rejeitos) e de documentos, além de entrevistas com funcionários da Hydro.  Segundo ela, não havia registro visual de transbordamento de rejeitos o que teria sido comprovado pela análise química de amostras de água coletadas na região. "Tanto as águas do rio Pará quanto do Murucupi não apresentam metais pesados como chumbo, níquel e arsênio em concentrações acima do permitido pela legislação”, afirmou.  Segundo ela, há, contudo, altas concentrações de ferro e alumínio, mas não é possível afirmar se essa concentração é resultado das atividades industriais na região ou características naturais da região.       

O pesquisador do Evandro Chagas, Marcelo Oliveira Lima discordou. “É evidente que havia contaminação no ambiente. Os níveis de alumínio e ferro oscilam na região, mas não ficam 25, 50 ou 100 vezes acima do normal. Ou melhor, ficam quando há transbordamento das bacias de rejeitos”.   

Andrea Aluani admitiu que a Hydro usou durante as chuvas um antigo canal para escoar os efluentes, mas disse que antes do descarte nos rios, houve controle da acidez da água. Para pesquisadores do Evandro Chagas só esse procedimento não é suficiente para evitar a contaminação.   

As primeiras denúncias contra a Hydro foram feitas por moradores entre os dias 16 e 17 de fevereiro. A após forte chuva na região, uma lama vermelha se espalhou para além da área da planta de refino de alumina e as águas dos rios Pará e Murucupi apresentaram sinais de terem sido atingidos por uma lama vermelha, cor da bauxita, matéria-prima da alumina.  

O caso é investigado pelos ministérios público Estadual e Federal e alvo da CPI que aprovou convocação do presidente internacional da Hydro, Svein Brand. 

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