Consumo de pirataria cai 38% no País, mas aumenta 9% em SP

Segundo Ibope, em Belo Horizonte, aumento foi de 46% neste ano em relação a 2007; no Rio, redução foi de 35%

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2008 | 18h55

A quarta pesquisa sobre o impacto da pirataria no Brasil mostra que houve uma redução de 38% na venda de tênis, roupas e brinquedos falsificados neste ano em relação ao ano passado, quando havia sido registrado aumento de 8% nesse tipo de comércio. Mas em São Paulo e Belo Horizonte, onde o levantamento avaliou também a venda de outros sete produtos, houve crescimento de 9% e 46%, respectivamente, no negócio de falsificações. O trabalho, feito pelo Ibope por encomenda da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, também traça pela primeira vez o perfil de quem consome produtos piratas.   "Lugares no Brasil em que não há parceria estruturada, com inteligência, feito entre iniciativa privada e polícias locais, a pirataria cresce assustadoramente. Cidades como Belo Horizonte, onde a gente não acompanha apreensões, a pirataria cresceu 46%. A pirataria deve ser combatida com apreensões contínuas", afirmou Solange Mata Machado, representante da Câmara de Comércio dos EUA. No Rio, terceira capital estudada, foi registrada redução de 35%.   A queda mais acentuada no consumo de piratas em todo o País deu-se no ramo de brinquedos. O número de pessoas que compraram esse tipo de produto caiu de 199.107 para 88.017 (- 46%). Solange aponta três fatores para essa redução: diminuição da oferta, por causa do trabalho de repressão da Receita Federal; a desvalorização cambial - se o produto original tem preço próximo ao produto pirata não há estímulo para o consumidor comprar um brinquedo falsificado; e a logística de distribuição. "A empresa líder no mercado de brinquedo tem feito distribuição aberta e ampla no mercado brasileiro, e com isso lugares que nunca foram atendidos com brinquedos originais, agora recebem esse tipo de mercadoria". Afirmou.   Ela acredita que a crise financeira mundial possa aumentar a entrada de produtos piratas no Brasil e defendeu a intensificação das apreensões. "A crise é séria, mas o que terá mais impacto sobre a indústria é essa Lei dos Sacoleiros (em discussão no Senado), que cria taxa única para o livre trânsito das fronteiras e vai aumentar em muito a entrada de produtos piratas. Isso é um dano direto para a indústria brasileira". A estimativa é de que a indústria tenha perdido com pirataria R$ 45,5 bilhões em 2008.   Segundo a representante da Câmara de Comércio dos Estados, depois de três pesquisas acompanhando o sobe e desce do comércio de pirataria, o quarto trabalho foi dedicado a identificar o perfil de quem compra esse tipo de produto. "Vimos avanços no combate à pirataria no Brasil e agora precisamos trabalhar não só do lado da oferta, mas iniciar um processo de conscientização da população para diminuir a demanda. E já conseguimos identificar mudanças de hábitos de consumo", afirma.   Uma dessas mudanças diz respeito à freqüência com que o consumidor costuma comprar falsificações. Em 2007, 24% responderam "nunca". Em 2008, essa foi a resposta de 34% dos entrevistados. Entre os que disseram que compram piratarias, os pesquisadores conseguiram identificar dois grupos - o convicto e o eventual. Se o primeiro não se importa com as conseqüências das suas compras, o segundo não compraria produtos piratas se soubessem que financia o crime organizado (72%), ou se houvesse vínculo com o tráfico de drogas (88%) ou ainda se esses produtos causassem danos à saúde (90%).   "Funcionam todos os argumentos relacionados com a vida pessoal de quem compra. São os que falam da relação com o crime e com qualquer dano que possa ter sobre a saúde do comprador ou da sua família. Não convencem os argumentos de impacto na arrecadação de impostos, ou que poderia financiar propina para algum órgão do governo", diz Solange.   Perfil do comprador de produtos piratas Comprador Eventual - 76% Comprador Convicto - 24% Mulheres - 53% Homens - 57% 25 a 39 anos - 39% 25 a 39 anos - 40% Ensino médio - 38% Ensino médio - 36% Classe C - 54% Classe C - 51% Empregado assalariado (50%) Empregado Assalariado - 36% Não compraria se soubesse que financia: - Crime organizado - Tráfico de drogas - ou que sua família pudesse ser prejudicada Não se importa com conseqüencias da compra   - Pirataria movimentou R$ 23 bilhões em 2008 nos setores de brinquedos, roupas, tênis, relógios, perfumes e cosméticos, jogos eletrônicos e peças para motos. - A perda de faturamento da indústria nesses setores foi de R$ 46,5 bilhões. - O País deixou de arrecadar R$ 18,6 bilhões em impostos com esses produtos.   Fonte: Ibope

Tudo o que sabemos sobre:
Ibopepiratariacomércio ilegal

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.