'Conta Bancoop virou incógnita', diz engenheiro

Testemunha, que trabalhou em 30 obras da cooperativa, afirma à CPI que entidade virou 'bola de neve sem controle'

, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 00h00

O engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, coordenador de trinta obras da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) no período entre 1997 e 2002, declarou ontem que empreendimentos e fluxo financeiro da entidade transformaram-se em "bola de neve sem controle". À Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia de São Paulo que investiga supostas fraudes e desvios de recursos, ele afirmou que "a conta da Bancoop virou uma incógnita".

Carmo disse que a Bancoop, na ocasião em que trabalhou para a cooperativa, passou a escolher terrenos inapropriados para a construção de torres de apartamentos. "Talvez pensando em outras situações confundiram o estatuto sem fins lucrativos com fins lucrativos", anotou.

Disse que o então presidente da Bancoop, Luis Malheiro, pediu a ele que arrecadasse R$ 1 mil de cada empreiteira e que ouviu dizer que o dinheiro seria destinado para campanhas políticas do PT. Segundo o engenheiro, Malheiro chegou a solicitar a ele que abrisse uma conta para aquele fim. "Me neguei a fazer, como eu poderia pedir dinheiro e movimentar na minha conta e ter autoridade como engenheiro de campo?"

Ele afirmou que ao questionar medidas da direção da Bancoop foi perdendo espaço até ficar responsável por apenas cinco obras. Naquela época, cada empreendimento tinha uma conta exclusiva para pagamento de fornecedores. "Quando questionei fecharam as contas e misturaram tudo numa única conta, a conta Pool."

O engenheiro abriu espontaneamente seu sigilo bancário.

"Ele (Carmo) apenas reproduziu o depoimento que prestou ao Ministério Público em março de 2008", observou o advogado Pedro Dallari, que defende a Bancoop. "A promotoria não tomou nenhuma medida em relação a essas informações, penso que isso ocorreu porque não há provas, não há absolutamente nada. Ele sustenta apenas ter ouvido falar. Até porque era engenheiro de campo, não tinha relação direta com a administração." / FAUSTO MACEDO

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