Contador e office boy serão submetidos a acareação

Atella reafirma que falsa procuração entregue à Receita partiu de Cabral, que já negou qualquer participação na trama

, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

Pivô do escândalo da violação de sigilo fiscal de Verônica Serra e de seu marido, Alexandre Bourgeois, o contador Antônio Carlos Atella Ferreira reafirmou ontem ao depor na Delegacia Seccional de Santo André que a falsa procuração entregue à Receita partiu de seu parceiro, o office boy Ademir Estevam Cabral. Anteontem, porém, Cabral negou à polícia qualquer participação na trama.

Diante das versões conflitantes, o delegado José Emílio Pescarmona, que preside o inquérito sobre a fraude na procuração, decidiu que vai pôr Atella e Cabral frente a frente. A acareação ainda não foi marcada, mas o delegado quer realizá-la em breve. "Há fatos verídicos e inverídicos nos depoimentos de ambos", afirmou.

Pela manhã, Atella e seu advogado, Alexandre Clemente Trindade, estiveram na Polícia Federal. O delegado Hugo Uruguai queria saber se o contador reafirmava ou retificava depoimento prestado na semana passada. "Ele não só reafirmou como deu mais elementos sobre a atividade profissional de Cabral", afirmou o advogado de Atella. Trindade disse que na próxima semana deve pedir o trancamento do inquérito na Polícia Civil, sob a alegação de que o crime de violação de sigilo já sendo apurado pela PF.

Além de detalhar sua relação profissional com Cabral, o contador escreveu em uma folha o nome Verônica Allende Serra. A polícia vai usar o material para comparar a grafia de Atella com a assinatura que consta da falsa procuração entregue à delegacia da Receita em Santo André. O mesmo será feito em relação a Cabral.

Em seu depoimento, Atella disse que esteve algumas vezes no posto do Fisco em Mauá, epicentro do escândalo da violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao tucano José Serra, mas que atuava principalmente em Santo André. Confirmou ter conhecido uma pessoa chamada de "dona Ilda" e que mais tarde soube se chamar Adeildda. Servidora do Serpro, ela é personagem-chave do escândalo que abala a Receita - de seu computador, na agência de Mauá, foram acessados dados fiscais de quase 3 mil contribuintes. Atella salientou, contudo, que "dona Ilda" nunca atendeu no balcão e o conhecimento que tinha dela era apenas "visual".

O delegado então exibiu a Atella as cópias das falsas procurações apresentadas à Receita em nome de Verônica e Bourgeois. O contador reconheceu sua assinatura nos documentos. Assim como já havia dito ao Estado, Atella afirmou que Cabral tinha o hábito de pedir pressa na emissão das declarações de renda solicitadas. "Muitas vezes o sr. Ademir telefonava ao declarante (Atella) diversas vezes no mesmo dia para pedir agilização na emissão das certidões, visto que alegava que estava chegando alguém, sem dizer quem, de fora, junto ao aeroporto", diz à folha 3 do depoimento.

Sobre sua ligação com o PT, Atella disse que foi "num momento de euforia", durante show da dupla Zezé de Carmargo e Luciano em Mauá, que assinou a ficha de filiação, mas não conhece nenhum político e nunca participou de atividade partidária.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.