Contêineres enviados ao Brasil tinham lixo doméstico

Investigadores da agência ambiental britânica levarão mais dois meses analisando lixo que foi para o Brasil

BBC Brasil, BBC

24 de setembro de 2009 | 09h54

O resultado das primeiras análises do conteúdo de contêineres enviados ao Brasil por exportadores na Grã-Bretanha indicam a presença de lixo doméstico como fraldas sujas e restos de comida. A exportação de lixo não-reciclável é crime na Grã-Bretanha.

Investigadores da agência ambiental do governo britânico estão examinando 81 contêineres de lixo que haviam sido enviados ao Brasil e foram repatriados no mês passado. Até agora, os investigadores examinaram 14 contêineres que chegaram do Brasil ao porto de Felixstowe, no leste do país. Eles encontraram lixo reciclável - como embalagens de plástico e caixas papel - contaminado com lixo doméstico.

As autoridades locais ainda esperam outros dez contêineres que chegarão do Brasil nos próximos dias. A agência britânica vai abrir e analisar todos os contêineres - ou mais de 1,4 mil toneladas de lixo - para poder concluir a investigação sobre como o lixo foi parar no Brasil. A tarefa deve demorar mais dois meses.

'Crueldade'

"É pura crueldade depositar este tipo de lixo em outro país e esperar que eles se livrem dele", disse o diretor da divisão de crime ambiental da agência britânica, Andrew Higham. "E ganhar dinheiro com este tipo de atividade é indesculpável. É algo que a agência ambiental não vai tolerar."

Em junho deste ano, o Ibama, a agência ambiental brasileira, descobriu 91 contêineres de lixo em portos e postos aduaneiros em São Paulo e no Rio Grande do Sul. O material havia sido exportado da Grã-Bretanha para o Brasil. Inicialmente as autoridades brasileiras disseram se tratar de lixo tóxico, mas as primeiras análises em Felixstowe indicam que o material é lixo doméstico.

Em julho, três homens foram presos na cidade de Swindon, suspeitos de envolvimento no caso, mas liberados sob pagamento de fiança. A pena máxima por exportar lixo ilegalmente é uma multa sem limite pré-definido ou até dois anos de prisão.

Ainda em julho, o Ibama anunciou que estava estudando alguma sanção internacional contra duas empresas britânicas acusadas da exportação do material para o Brasil - a Worldwide Biorecyclables e a UK Multiplas Recycling.

Na ocasião, o proprietário das empresas, o brasileiro Julio da Costa, disse à BBC Brasil que elas faziam apenas a prensagem do plástico recolhido por fornecedoras britânicas, entre elas a Hills Waste Solutions Limited.

Costa disse que a responsabilidade por qualquer outro material que tenha chegado ao Brasil seria da Hills e das demais fornecedoras. A Hills afirma que caberia à empresa de Costa a triagem para separar qualquer material plástico inadequado para a reciclagem.

 

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