Continuam os ataques do PCC: já são 36 mortos e 73 ataques

Chegou a 36 o número de mortos em conseqüência dos ataques organizados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) contra instalações policiais no Estado de São Paulo. Na madrugada deste domingo, 14, os criminosos fizeram novos atentados, totalizando 73 ações desde a noite de sexta-feira.Os mortos nos atentados são 27 policiais, oito criminosos e um civil; 28 pessoas ficaram feridas. A polícia prendeu 17 suspeitos.Além disso, 18 unidades prisionais, entre penitenciárias e centros de detenção, continuavam dominados por presos rebelados, também sob a articulação do PCC. Desde sexta-feira 25 unidades em 24 municípios foram tomadas por motins.Ao todo, 24.472 detentos se rebelaram e fizeram 174 reféns. Também centenas de parentes que visitavam os presos foram retidos. Nas sete unidades onde os motins foram controlados, 44 reféns foram soltos.AtaquesA morte mais recente é de um criminoso, ainda não identificado, morto numa travessa da avenida Mandaqui nesta madrugada. Segundo a polícia, o rapaz tinha participado, minutos antes, de uma ataque ao Fórum de Santana, na avenida Engenheiro Caetano Álvares, Zona Norte. O atentado ao fórum aconteceu às 2h30. De acordo com testemunhas, quatro criminosos passaram num carro claro e dispararam pelo menos 10 vezes. Pouco depois, a equipe do sargento Deoclécio Onofre, do 18 Batalhão, cruzou com um Fiesta branco, em alta velocidade. A perseguição iniciou-se na avenida Casa Verde e terminou na rua Josefina Gonçalves. "Lá o criminoso que dirigia perdeu o controle e bateu. O outro desceu atirando e nós revidamos", afirmou o sargento. Antes de morrer, o criminoso foi levado para o pronto-socorro da Vila Nova Cachoeirinha.Com o acusado foi apreendido uma pistola calibre 380, com a inscrição "PCC" de um lado do cabo e "1533", o número da facção, do outro. No Fiesta, a polícia achou outra bomba de efeito moral, também com a inscrição "1533". O homem que dirigia o Fiesta conseguiu escapar. Segundo testemunhas, ele correu até a ponte do Limão, onde rendeu um taxista, roubou-lhe o carro e sumiu.Um pouco antes, às 1h30, três criminosos, todos sem identificação,foram mortos pela Rota. De acordo com a Rota, os criminosos morreram a caminho do pronto-socorro de Itapecerica da Serra depois de uma troca de tiros. O bando é acusado de participar de um ataque à base da Polícia Rodoviária Federal do quilômetro 285 da Régis.Às 22 horas de sábado, o alvo foi a base da polícia rodoviária do quilômetro 44,5 da Raposo Tavares, já em Vargem Grande. O ataque foi promovido por homens que passaram em dois carros. Os tiros, de espingardas calibre 12 e pistolas 380, destruíram uma viatura e arrebentaram a caixa de telefonia da base, que ficou sem comunicação. Durante a madrugada, os policiais de plantão se comunicavam apenas por rádio.Os tiros, de pistola calibre 380, quebraram o vidro da entrada do local. Duas granadas de efeito moram foram também jogadas no pátio do fórum, mas não explodiram. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM foi acionado para recolher a bomba.No Parque Arariba, região do Campo Limpo, Zona Sul, uma base da Guarda Civil Metropolitana foi metralhada às 19h40. A base, que estava em estado de alerta, tinha sete guardas de plantão. Um deles, Valdemar Lopes Ferreira, 50 anos, estava fora da guarita e foi atingido na mão direita. O tiro varou a palma de Valdemar, que permanece internado no hospital municipal do bairro e deve perder os movimentos do dedo indicador. De acordo com a Guarda Civil Metropolitana, o atentado foi praticado por pelo menos quatro homens que passaram em duas motos. Os criminosos dispararam cerca de 20 vezes e, além da base, atingiram também uma viatura.RebeliõesEstavam rebelados, até por volta das 22 horas deste sábado, os presos de unidades prisionais de Ribeirão Preto, Pirajuí, Araraquara, Flórida Paulista, Lucélia, Lavínia, Mogi das Cruzes, Suzano, Marabá Paulista, Campinas, Diadema, Franco da Rocha, Riolândia, Potim, Irapuru, São José do Rio Preto, Paraguaçu Paulista e do CDP de Osasco.Os motins em Presidente Prudente, Serra Azul, Itirapina, Avaré (duas unidades), Iaras e Guareí já haviam sido controlados.Em pelo menos três das unidades ainda sob motim, Lavínia, Flórida Paulista e São José do Rio Preto, os detentos retinham centenas de pessoas que foram visitar familiares. O horário de encerramento das visitas terminou às 15h45, mas a maioria delas não saiu.No Centro de Detenção Provisória (CDP) de São José do Rio Preto os detentos liberaram crianças e idosos mas seguram dentro do presídio cerca de 200 pessoas. Em Lavínia, haveria pelo menos 80 parentes de detentos que não foram liberados. Um número não revelado de visitantes estaria nas dependências internas da Penitenciária de Flórida Paulista.* Chico Siqueira, José Ângelo Santilli, Zuleide de Barros, Solange Spigliatti, Márcia Furlan, Marcelo Godoy, Rita Magalhães, Mauro Mug, Patrícia Junqueira, David Moisés, Josmar Josino e Álvaro Magalhães

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