Contra furtos, cemitérios de SP ganham câmeras

Serviço Funerário investe R$ 450 mil para monitorar 7 dos 22 cemitérios; neste ano, foram 56 ocorrências

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2008 | 00h00

"A pessoa não tem sossego mais nem depois de morta", diz a secretária Eliete Solange Donni, de 53 anos, em frente ao túmulo onde estão enterrados seus avós, tios e primos, no Cemitério da Vila Mariana, zona sul. Há dois meses, na quarta vez em que o jazigo da família foi alvo de bandidos, levaram todas as nove plaquinhas de bronze com o nome dos que foram ali sepultados. "Cada uma custa R$ 60", lembra ela. O crucifixo, também de bronze, já havia sido levado em investidas anteriores. A boa notícia para Eliete e tantos outros paulistanos que têm prejuízos financeiros e a memória de familiares desrespeitada por esses furtos é que o Serviço Funerário se prepara para instalar monitoramento por câmeras nos cemitérios.Na primeira fase, cuja implantação está prevista para este mês, serão 90 equipamentos distribuídos em 7 dos 22 cemitérios públicos de São Paulo. Foram investidos R$ 450 mil - R$ 150 mil em câmeras e o restante em infra-estrutura. "Desde que assumi a diretoria, em 2006, avaliamos a necessidade desse monitoramento eletrônico", afirma o diretor de Segurança, Celso René Vieira. "Como temos limitações de recursos financeiros, montamos um plano de ação. A intenção é que, futuramente, tenhamos câmeras em todos os cemitérios da cidade." Elas serão interligadas ao sistema da Guarda Civil Metropolitana (GCM).Os sete primeiros contemplados são os Cemitérios do Araçá, da Consolação, da Quarta Parada, de Santana, de Santo Amaro, São Paulo e da Vila Mariana. Todos esses - mais o do Tremembé - já contam com policiamento fixo, 24 horas por dia, da GCM que, nos demais, faz apenas rondas periódicas. Alegando questões estratégicas de segurança, a GCM se recusou a divulgar o número de envolvidos nessas operações.Para Vieira, as câmeras funcionarão como "armadilhas para pegar rato" e devem inibir o número de furtos e vandalismo nos cemitérios paulistanos. "Muitos ladrões são moradores de rua, mas há os que se organizam em quadrilha, gerenciados por receptadores do material, geralmente donos de ferro-velho", explica. Enquanto isso, já há quem prefira substituir o velho e tradicional bronze por outros materiais. "Vamos mandar fazer novas plaquinhas de inox ou de granito", diz Eliete. Vasos de cerâmica e de granito também estão se tornando comuns.NÚMEROSDe acordo com informações do Serviço Funerário, foram registradas 56 ocorrências de furto nos cemitérios paulistanos neste ano - estão computados os números até outubro. O Cemitério da Vila Mariana encabeça o ranking, com 15 casos, seguido pelo Cemitério do Tremembé, com 8 (veja nesta página o ranking dos cinco mais visados pelos bandidos). Em comparação com os dados do mesmo período de 2007, quando foram registrados 76 casos de furto, houve uma queda de 26%. "Atribuímos esse resultado a algumas medidas que temos tomado, principalmente à parceria com a Guarda Civil", comemora o diretor. Nem sempre a queixa é feita por um freqüentador do cemitério. Na maioria dos casos, é o próprio administrador que registra a ocorrência.Apesar de positivos, os números são frios diante da decepção e indignação sentida por quem não encontra os letreiros, vasos e imagens nos túmulos. "Eles fazem uma faxina", reclama a pensionista Jandira Bonito Giopato, de 77 anos, que todas as manhãs de sábado passa cerca de uma hora no Cemitério da Vila Mariana, lavando túmulos onde estão enterrados pais, marido e um filho.RANKING Vila Mariana: 15 ocorrências Tremembé: 8 ocorrências Vila Formosa: 5 ocorrências Quarta Parada: 4 ocorrências Araçá: 4 ocorrências Fonte: Serviço Funerário

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