Contran proíbe uso do celular ao volante mesmo com fone

Mãos no volante e atenção na conversa com a pessoa no outro lado da linha do aparelho celular representam alto risco para acidentes de carro, concluíram hoje os integrantes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que decidiram proibir também o uso de fone monoauricular ou sistema viva-voz. O Código Brasileiro de Trânsito, em vigor desde 1998, proibiu o motorista de usar celular, mas neste ano, uma portaria abriu exceções para o fone de ouvido e o sistema de viva-voz. A revogação desta portaria será publicada sexta-feira no Diário Oficial.A diretora do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Rosa Cunha, garante que conversar com o passageiro ou ouvir música não representam os mesmos riscos para o motorista que o uso do celular. "A pessoa do lado está no mesmo ambiente e pode interromper a conversa a qualquer momento, até para alertar o motorista", diz. Segundo Rosa, estudos canadenses constataram aumento de 40% dos acidentes por causa do uso de celular no trânsito. "O motorista não olha o retrovisor, ziguezagueia, reduz velocidade, avança sinal, enfim se distrai", resume Rosa, que está no cargo há três semanas e foi responsável por levar para reunião do Contran a proposta de proibição do celular no trânsito. Quatro meses atrás, uma portaria do antigo diretor do Denatran, Jorge Guilherme Francisconi, havia autorizado o motorista a usar fone monoauricular. Rosa Cunha justificou a mudança, apoiada em estudos da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) comprovando que o uso do celular não compromete a motricidade, mas a atenção do condutor. ÁlcoolO diretor da Abramet, Alberto Sabag, que também é médico, atesta que a desatenção do motorista ao celular é semelhante à de uma pessoa alcoolizada no volante. "Ele começa a se desligar da função de dirigir", adverte o médico, explicando que se o condutor estiver a 50 quilômetros por hora, percorrerá 30 metros sem prestar atenção na pista, se estiver olhando o visor do celular para atender a uma chamada ou para discar um número - tempo suficiente para atropelar alguém ou furar o farol. "Os acidentes normalmente ocorrem porque a pessoa é pega de surpresa e não porque é mau motorista." Sabag recomenda que se evite o hábito de usar o celular enquanto dirige. Mas admite que o uso do celular "não oferece problema de segurança" para um motorista que estiver parado numa pista em um congestionamento, situação comum no trânsito paulistano."Neste caso, provavelmente não vai acontecer nada", endossa o médico, informando que as mulheres se distraem mais do que os homens quando falam no celular. A diretora do Denatran apela para o bom senso para que, mesmo presa num engarrafamento, a pessoa se lembre dos risco a que se submete ao usar o celular no trânsito. Uma das hipóteses, levantada por ela, é bater no carro da frente. Ela recomenda que o motorista estacione no acostamento para atender chamadas. Rosa diz que a frota nacional é de 32 millhões de carros e que o número de celulares no mercado é semelhante. A multa para quem desrespeitar a proibição do Contran será de R$ 85,13 e significará quatro pontos na carteira. O Contran orientará os Departamentos de Trânsito a só começar a cobrar a multa daqui dois meses, após campanha educativa da população. O agente de fiscalização apenas poderá notificar o motorista, após pará-lo e constatar a infração, a exemplo do procedimento adotado para multas pela não colocação do cinto de segurança.

Agencia Estado,

28 de agosto de 2002 | 19h12

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