Contratação de estrangeiro é inviável, dizem controladores

A proposta do governo de contratar controladores estrangeiros dificilmente funcionará na prática para solucionar a crise no setor aéreo do País. Controladores na Europa ouvidos pelo Estado alertaram que um profissional da área precisa de até seis meses para ser treinado para atuar em um posto em um país diferente ao seu. Além disso, o governo terá de desembolsar uma verdadeira fortuna para conseguir pagar os salários dos controladores de países como Estados Unidos ou Europa. Na Suíça, por exemplo, o salário inicial de um controlador é de R$ 11 mil por mês. Se dez controladores suíços forem contratados, portanto, a conta ficará em mais de R$ 100 mil por mês. Para especialistas da área, custará bem mais barato ao governo usar os seis meses que treinaria os profissionais estrangeiros para preparar novos controladores nacionais, com salários baseados na realidade brasileira. Na Europa, o anúncio do governo mais pareceu uma ameaça. "Isso pode ser muito mais uma questão de quebrar o poder dos grevistas que uma medida para solucionar uma crise", alertou um experiente controlador. Contratação comum O uso de controladores estrangeiros é comum na Europa, Ásia e em países do Oriente Médio. Mas a contratação, segundo a Federação Internacional de Controladores, raramente ocorre no meio de uma crise. Isso porque os controladores de outros países precisam de tempo para se habituar com os equipamentos, idioma, território nacional, empresas locais e o comando do País. "Quando um país sabe que terá um déficit de controladores, as decisões estratégicas são tomadas meses antes para garantir que não haverá falta de profissionais", explicou Marc Baumgartner, presidente da Federação Internacional de Controladores. Ele conta que o procedimento normal é a abertura de concursos públicos para estrangeiros. Isso ocorre com freqüência na Holanda, Áustria e Suíça, onde sempre há uma dezena de candidatos por vaga. Recentemente, os alemães enviaram controladores para trabalhar no aeroporto de Viena, enquanto irlandeses foram para outras regiões da Europa. Há casos ainda onde empresas de controladores são criadas e fornecem seus serviços a diferentes países. Esse é o caso da Serca, que é quem venceu recentemente o contrato para operar a torre do aeroporto dos Emirados Árabes Unidos e está presente em outros 30 países. A empresa ainda tem suas ações na Bolsa de Londres e fatura milhões por ano.

Agencia Estado,

02 Abril 2007 | 21h29

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