Contrato eliminou macas de corredor

Direção de hospital alega que antes havia acúmulo de pacientes

O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2013 | 00h00

As direções do Hospital do Tatuapé e da Autarquia Hospitalar Norte informaram que, antes da contratação de leitos privados, a unidade chegou a ter 80 doentes em macas nos corredores. A situação teria piorado com reformas que ocorrem no Tatuapé e obrigaram a mudanças no pronto-socorro. A reportagem verificou, no entanto, que, nas últimas semanas, mais de 50 leitos estavam livres dentro do hospital, segundo informações do sistema interno de estatísticas do Tatuapé. Só no início desta semana 51 estavam disponíveis, 10 deles na área de clínica médica, que poderia atender especificamente os doentes dos corredores. Ontem à noite eram 38 leitos livres na unidade. "Tenho 10 leitos (de clínica médica), só que os 10 já foram ocupados", alegou Flávia Terzian, diretora do Tatuapé. Ainda de acordo com a diretora, entre as vagas há aquelas que não poderiam acomodar pacientes clínicos, como as da área para queimados. Flávia, no entanto, informou que 80 outros leitos não estão operando por falta de pessoal e de camas - contratações de auxiliares de enfermagem e a aquisição das camas foram providenciados. O superintendente da autarquia, Amaury Amaral, disse que a unidade pretende suspender o contrato emergencial assim que for possível. "Não há interesse em manter leito fora. Não caberia não investirmos dentro do hospital." Na semana passada a Prefeitura negou que já tivesse dados sobre a auditoria do contrato. Depois de a reportagem obter uma cópia, reconheceu a validade do relatório, também ratificado pelo auditor Walter Stahl. Quanto às irregularidades apontadas, o Município destacou que as condições de atendimento foram consideradas boas e um trabalho complementar em curso não encontrou problemas até o momento. Segundo Amaral, a permanência média de 16 dias dos pacientes nos leitos alugados é necessária porque são casos nos quais houve piora. Paulo Veinert, diretor clínico do Hospital da Avape-Mooca, apontou ainda problemas sociais como causa para a longa permanência de pacientes. "Tive pacientes que dei alta, mas não podiam ir embora porque estavam nus. O contrato é novo, é estranho, mas é sério."

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