Controladores de vôo anunciam paralisação em Brasília

Os controladores de vôo comunicaram às chefias do Centro de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1) de Brasília, que vão paralisar suas operações na noite desta sexta-feira, 30. Eles só irão autorizar o pouso dos aviões que já estão no ar. A partir daí, nenhum pouso ou decolagem será autorizado até que uma autoridade decida negociar com eles.Nesta sexta, os controladores já tiveram uma reunião com o comandante do Cindacta-1, Coronel Carlos Aquino, que pediu a eles que refletissem, voltassem para casa e pensassem no que estavam fazendo. O coronel avisou que não hesitaria em usar o regulamento para puni-los. Depois disso, os controladores se reuniram e decidiram tomar uma decisão mais radical. ReivindicaçõesA categoria reivindica a desmilitarização do setor e as mobilizações são uma resposta às represálias da Aeronáutica, que está transferindo os sargentos controladores de suas sedes para outras cidades, aleatoriamente.Eles estão insatisfeitos, também, com o fato de não terem sido resolvidos problemas básicos de equipamentos que, segundo eles, continuam apresentando problemas nos Centro de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindactas) e a com a falta de uma resposta do governo às propostas apresentadas por um grupo de trabalho, que propõe a saída da Aeronáutica do comando do tráfego aéreo.Aquartelamento Os controladores do tráfego aéreo de Brasília distribuíram nesta sexta um manifesto à população no qual alertam que não confiam nos equipamentos de que dispõem para trabalhar e nem nos comandos. Cerca de 100 controladores do Centro de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo de Brasília (Cindacta-1), estão concentrados no Cindacta, sem previsão de deixar o local. Os que deixaram o trabalho na manhã desta sexta se juntaram aos sargentos em greve.Os controladores apresentam também uma pauta de negociações que pede o fim das perseguições aos sargentos controladores com retorno dos representantes da associações e supervisores afastados de suas funções, a criação de uma gratificação emergencial para a categoria, o início da desmilitarização e a nomeação de uma comissão para acompanhar as mudanças no setor.O sargento da aeronáutica e controlador de vôo Jonas Teixeira Junior, preso por insubordinação no dia 17, voltou ao trabalho no início da tarde desta sexta-feira, no Aeroporto Internacional de Salvador (BA). Antes de chegar ao local de trabalho, ele temia não ser liberado para voltar para casa, por represália dos comandantes - sua soltura foi conseguida por meio de habeas-corpus, no último sábado (a punição seguiria até terça-feira).O controlador foi preso por registrar, no livro de ocorrências oficial, irregularidades e deficiências que podem comprometer a segurança de vôo em Salvador - procedimento que havia sido proibido pelo comando do Cindacta local.Os controladores de vôo de Salvador, assim como os de Brasília, resolveram se aquartelar. O movimento, na capital baiana, começou na troca de turno do início da tarde, por volta das 13h30 - horário em que Teixeira assumia suas funções. Os oito profissionais que trabalharam na torre durante a manhã resolveram não ir embora e começar uma greve de fome. "Estamos realizando essa manifestação sem prazo para acabar, para reivindicar melhores condições de trabalho", afirmou um dos aquartelados, que não quis se identificar. Em princípio, os controladores aquartelados foram para a Base Aérea de Salvador. "Fomos expulsos de lá pelos militares e acabamos vindo para o saguão do aeroporto, onde vamos ficar até que a situação seja resolvida", afirmou o controlador. "Se a solução demorar muito a chegar, o sistema de aviação vai parar, porque não há como exercer nosso trabalho sem comer ou dormir."Além do aquartelamento, os controladores de Salvador também voltaram a fazer, nesta sexta, a chamada operação-padrão. O resultado, até o início da noite: 19 vôos com decolagens atrasadas - 45 minutos em média - e quatro vôos cancelados.Greve de fomeEm Manaus, seis controladores de vôo da torre de controle do Centro de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-4), estão em greve de fome no prédio anexo ao Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) desde a quinta-feira, 29. A informação é de um controlador de vôo que não quis se identificar à reportagem do Estado por receio da punição militar, e que enfrenta há quase seis meses o que chamou de "terror" da Aeronáutica promovido pelos superiores militares.Apesar do descontentamento de controladores de vôo no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 2), em Curitiba, a informação era de que os trabalhos seguiam normalmente e não havia aquartelamento ou qualquer manifestação. No entanto, na página Megafone, do site do Clube dos Militares da Reserva e Reformados da Aeronáutica Brasileira, alguns controladores de vôo de Curitiba incitam para a operação- padrão. Colaboraram Evandro Fadel e Liège Albuquerque

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