Controladores temem perder emprego após prisões

Clima de tensão em Manaus após detenção controladores; Exército cerca o prédio do Cindacta-4

Liege Albuquerque,

17 de agosto de 2007 | 19h44

O clima entre os 89 controladores de vôo no Cindacta-4 em Manaus após a prisão de seis colegas de trabalho no início da semana é de tensão. Com medo de novas prisões, não há nenhum disposto a falar mostrando o rosto ou a dar informações mais detalhadas sobre o que ocorre nas paredes do prédio cercado por policiais do Exército desde o início da crise. Ao contrário do que ocorreu no dia 28 de julho, quando foi publicada uma carta de repúdio à prisão do presidente da Associação Amazonense dos Controladores de Tráfego Aéreo, sargento Wilson Alencar - detido por cinco dias por determinação do comando da Aeronáutica sob o argumento de ter faltado ao serviço -, dessa vez, afirmam seus colegas do Cindacta-4, não há coragem para desafiar a hierarquia com nova carta. Alencar é um dos sete presos desde a segunda-feira. O maior medo dos controladores, contudo, ainda é o de perderem seus postos para controladores civis, com os planos do governo em desmilitarizar o setor, idéia fortalecida com a notícia das prisões dos amotinados na greve de 30 de março. "Os policiais do Exército continuam monitorando as conversas de corredores, que quase já não existem por conta da tensão piorada com as prisões", afirmou um controlador de vôo que não quis se identificar. Nesta sexta-feira, o advogado dos sete controladores presos entrou com pedidos de habeas corpus para tentar libertá-los. "As famílias dos presos hoje puderam pela primeira vez falar pessoalmente com eles, entregar objetos pessoais e deixá-los mais tranqüilos", afirmou o advogado dos sete, designado pela Defensoria Pública da União, João Thomas Luchsinger. Para controladores de vôo ouvidos pela reportagem, o que tranqüiliza mais os colegas sobre a possibilidade de serem trocados por civis é que não há como formar profissionais para atuar na área em curso de menos de dois anos. "Como não há concurso com novas vagas há décadas, os que entram são apenas substitutos de quem se aposenta e o déficit é de mais de 900 controladores de vôo em todo o País", destaca uma fonte da Aeronáutica.

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