Controle do tráfego aéreo só voltará ao normal em 2007

Apenas em meados do ano que vem o controle do tráfego aéreo será normalizado, disse nesta segunda-feira, 13, o chefe da área técnica do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), brigadeiro Álvaro Luiz Pinheiro da Costa. O problema do setor, acrescentou, é a falta de pessoal, aliada ao crescimento do tráfego no País em níveis acima do projetado. "Não tem controladores suficientes. Só por isso os vôos têm atrasado", disse Pinheiro. "O sistema, por falta de pessoal, caiu à metade da capacidade."O militar usou o caso de Brasília para ilustrar o problema. Ele disse que após a queda do avião da Gol, como é praxe em casos de acidentes, dez controladores de vôo entraram em licença médica. Em seguida, outros dez profissionais também pediram a licença. Ou seja, desde o fim de setembro, 20 dos 160 controladores de Brasília deixaram temporariamente suas funções. Pinheiro afirmou que a normalização depende da ampliação do quadro de controladores e do retorno dos licenciados.O brigadeiro afirmou que os atrasos nos vôos são uma questão de segurança. "Atrasos ocorrem para que se possa manter a segurança dos vôos", declarou. Ele negou que os controladores trabalhem por mais tempo do que o permitido ou monitorem uma quantidade de vôos acima do recomendado. "Não é verdade", garantiu.Sobre o acidente com o Boeing da Gol, que matou 154 pessoas no fim de setembro, Pinheiro disse ter tido acesso aos dados gravados pelo Cindacta-4, que monitorava o Boeing e o Legacy que se chocou com ele. "Realmente, o transponder do Legacy não funcionava no momento da colisão", disse o brigadeiro. "Não sei o que houve, mas o transponder não estava emitindo o sinal."Somente cerca de um minuto após a colisão, afirmou, três radares da região, em São Félix do Araguaia, na Serra do Cachimbo e em Sinop, passaram a detectar o Legacy, já em modo de emergência. Antes do choque, disse o brigadeiro, todos os radares viram o Boeing, mas apenas um radar primário, incapaz de precisar a altitude em que as aeronaves trafegam, monitorava o Legacy.Os controladores, porém, acreditavam que o jato seguia o plano de vôo e por isso não sabiam que as duas aeronaves estavam em rota de colisão. "Em casos como esse, em que há perda de comunicação, os manuais recomendam que o plano de vôo seja seguido", explicou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.