Contru interdita galeria do Rock em São Paulo

Nem U2 nem Rolling Stones. A poucos dias dos megashows dessas bandas no Brasil, o que mais se ouvia nesta quarta à tarde, na Galeria do Rock, no centro de São Paulo, eram perguntas. "Fechada? Como assim?", repetiam clientes que davam de cara com as portas laranjas fechadas na Avenida São João e na Rua 24 de Maio. Sim, a Galeria do Rock fechou mais cedo hoje. Ou melhor, foi fechada por ordem do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) da Prefeitura.O órgão municipal interditou a galeria no início da tarde, depois de técnicos da concessionária AES Eletropaulo detectarem problemas no local. A estrutura elétrica do prédio está sendo substituída e, no atual estágio do trabalho, foi preciso criar uma instalação provisória para a entrada da energia elétrica. E foi aí que os vistores encontraram irregularidades."Havia sobrecarga e superaquecimento. Tanto que colocaram ventiladores para tentar resfriar as barras de cobre", contou o diretor da Unidade Centro da concessionária, Arnaldo Silva Neto. "O projeto da instalação provisória foi seguido inicialmente e depois desvirtuado. Puxaram um fio aqui, outro ali. Faltou orientação técnica, e isso tem sido um problema recorrente em trabalhos desse tipo no centro."Subordinado à Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), o Contru informou em nota que os técnicos verificaram "risco iminente de incêndio" na entrada de energia elétrica do imóvel, "o que coloca em risco toda a edificação". Também faltavam, segundo o órgão, dispositivos de segurança adequados para as ligações provisórias. A interdição só será suspensa quando os problemas forem solucionados.O administrador do condomínio da Galeria do Rock, Antônio de Souza Neto, espera que isso ocorra ainda amanhã ou, no máximo, depois de amanhã. "Estamos há mais de dois anos fazendo tudo o que a Prefeitura exigiu. São mais de 30 itens e foi aparecer problema justo no último", lamentou Toninho da Galeria, como é conhecido. Hoje, todas as 450 unidades do condomínio estão ocupadas e, diariamente, de 3 mil a 5 mil pessoas passam pelo local em busca de discos de rock e rap, brincos e piercings e mesmo serviços como estamparia de roupas.E foram essas tantas pessoas, de gostos tão variados que mais lamentaram a interdição da simbólica galeria. "Vim lá da zona sul, de Interlagos, pra comprar ingresso pro show", contou o estudante Ricardo Lopes, de 22 anos, fã da banda brasileira Dance of Days, bastante conhecida na cena alternativa e que toca neste Sábado.Ele não era o único. Logo ao lado, a estudante Alessandra Marques dos Santos, de 18 anos, também queria uma entrada. "Aqui é R$ 15. Se não comprar aqui, vai ser R$ 20."A estudante Vanessa Drumond, de 13 anos, convenceu a mãe, Margarida, a ir com ela de Itaquera até o centro da cidade, só para comprar "várias coisas" na Galeria do Rock. "Ela tem uma festa para ir no sábado e queria produzir a roupa com produtos que só tem aqui", contou Margarida.E cada vez que um cliente chegava e lia a cópia do documento da interdição colada na porta laranja, surgia uma pequena roda. "Fechada? Como assim?", repetiam os jovens e um ou outro adulto de passagem. "Aprendi a vir aqui com ele", disse a estudante Patricia Cintra, de 21 anos, ao lado do namorado Sandro Bruno, de 18. Para o rapaz, que procuraria um tênis, o jeito é fazer como nos últimos três anos: pegar o ônibus e voltar à Galeria do Rock.

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