Conversa de 20 segundos está no centro do debate

Para a FAB, diálogo comprova transferência do controle, mas franceses alegam que só se cumpriu protocolo e o Senegal esperava outro contato

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

03 Julho 2009 | 00h00

Alvo de crítica dos peritos franceses, o procedimento entre controladores brasileiros e senegaleses durou exatos 20 segundos. A conversa - entendida pela Aeronáutica como a transferência completa do voo 447 para Dacar e interpretada pelo BEA apenas como parte do protocolo - ocorreu entre 1h35m26s (hora mundial) e 1h35m46. Para a Força Aérea Brasileira (FAB), essa é a prova de que as autoridade do Senegal sabiam que o Airbus A330 entraria em seu espaço aéreo e, portanto, eram os únicos responsáveis por monitorá-lo. Leia a íntegra do relatório do BEA e veja a repercussão da investigação A conversa entre os controladores dos dois países ocorreu no instante em que os brasileiros fizeram quatro tentativas frustradas de contato com a tripulação da Air France. O primeiro de um total de 29 diálogos registrados entre os pilotos do jato e o centro de controle de voo do Recife ocorreu às 23h19, quando o comandante do avião dá boa noite aos controladores brasileiros. Todas as conversas, gravadas ao longo de duas horas, seguem o padrão - o piloto fornece código de identificação e o nível de voo e, do outro lado, o centro de controle fornece as diferentes frequências de rádio durante o trajeto. À 1h33, o Airbus passa a falar com o centro de controle Atlântico, também com sede no Recife. Dois minutos depois, um controlador pergunta à tripulação se há estimativa do horário de passagem sobre o ponto Tasil, que delimita a área sob responsabilidade do Brasil e do Senegal. Entre 1h35 e 1h36, os controladores brasileiros fazem quatro tentativas de contato, sem obter resposta. No mesmo instante, o centro de controle Atlântico aciona os senegaleses para informar sobre a chegada do voo 447. A conversa é interrompida pelo controlador senegalês: - Ok, te ligo depois, por favor -, diz ele, depois de ouvir o número do voo e o nível em que o Airbus estava (35 mil pés). - Ok, ok, sem problema -, responde o brasileiro. Para o BEA, os controladores brasileiros transmitiram apenas informações básicas sobre o voo 447 aos controladores de Dacar, que ficaram aguardando mais detalhes. Faltou ao centro de controle Atlântico, na visão dos franceses, recontactar a autoridade senegalesca. Além disso, a tripulação do 447 tentou por três vezes, sem sucesso, contato com Dacar, sendo a última às 2h01. Quase duas horas depois, o controle de voo do arquipélago de Cabo Verde pergunta a Dacar a que horas o voo chegaria à região. Dacar responde que não havia obtido a informação do 447. Só a partir das 4h07 é que os senegaleses voltam a tentar contatar a aeronave, ao mesmo tempo em que confirmam com o controle de voo da ilha do Sal que o Airbus deveria ter passado pela região às 3h45. É quando ambos percebem que isso não ocorreu. COLABOROU LÚCIA JARDIM

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