Convite para churrasco vai parar em processo na Justiça do RS

Um convite para um churrasco entre amigos foi parar nos autos de um processo em tramitação na 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Porto Alegre, surpreendendo os advogados de um militar aposentado do Instituto de Previdência do Rio Grande do Sul (Ipergs) que discutiam na Justiça a validade dos descontos aplicados sobre o benefício mensal dos servidores inativos do Estado.A nota de expediente, datada de 5 de dezembro, dava notícia do envio às partes do cálculo para ressarcimento ao policial aposentado de descontos indevidos feitos pelo Ipergs. Mas um dos dois parágrafos destoava do assunto em discussão e tratava de uma possível confraternização de fim de ano.Em forma de lembrete, o texto diz: "Churrasco de ?amigos? na casa da Morgana, dia 06/12/2008, horário: 12 h. O que levar??? Bebidas!!! Cada um leva seu fardinho!!! E a carne??? R$ 10,00 por pessoa, criança não paga. Quem vai??? Favor confirmar presença por e-mail e $$$ até dia 05/12, certo!!!??? Bem, mais uma vez um encontro de amigos, para colocar a conversa em dia, e desopilar fora da ?santa?!!!".Conforme funcionários do Tribunal de Justiça e o advogado Miguel Arcanjo da Cruz Silva, representante do policial, é provável que um funcionário do cartório tenha colado por engano o texto do convite à nota de expediente. O equívoco não causou transtornos às partes nem altera o processo, mas também não pode ser retirado do despacho por conta da rotina de segurança jurídica. O juiz e os serventuários da 4ª Vara não falam sobre o assunto. O Tribunal de Justiça abriu procedimento interno para descobrir o que houve e depois emitir orientações para que o erro não volte a se repetir.Depois de se tornar pública, a gafe virou objeto de brincadeiras. "Recebi diversos e-mails de colegas pedindo para não serem esquecidos no próximo churrasco", diz o advogado Silva. Funcionários do Judiciário também admitem já terem ouvido piadas por conta do caso.Para Silva, o aspecto divertido do episódio esconde um problema sério. "Um equívoco como esse evidencia que há sobrecarga de trabalho para os funcionários da Justiça", afirma. "De tantos processos que têm, eles acabam fazendo as coisas automaticamente."

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