Cooperado insiste em bloqueio de contas da Bancoop

Para advogado, Justiça foi ''induzida'' a rejeitar pedido com argumentação baseada em acordo suspenso

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

O advogado Valter Picazio Júnior afirmou ontem que a Justiça foi "induzida" a rejeitar pedido de bloqueio de contas da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). Picazio representa 18 entidades de cooperados que alegam ter sido lesados. Na quinta-feira, o juiz Carlos Eduardo Lora Franco, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), indeferiu requerimento do promotor José Carlos Blat que pretendia o bloqueio. O promotor investiga suposto desvio de recursos da Bancoop. Seu alvo principal é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

O juiz examinou petição da Bancoop, segundo a qual o embargo tornaria inviável o cumprimento de acordo com o Ministério Público. O juiz apontou para o acordo homologado em março de 2009 "estabelecendo providências para garantia dos cooperados, inclusive pela realização de auditorias".

Para o magistrado, o bloqueio "implicaria, basicamente, a imediata interrupção de todas as suas atividades, com prejuízo evidente não só para todos os seus cooperados, como o impedimento até do pagamento dos salários dos funcionários da cooperativa".

Picazio, advogado dos cooperados, sustenta que "não existe acordo vigente ou em execução". Acentua que "o despacho judicial foi induzido por manifestação da Bancoop". Segundo ele, "duas associações que representam vítimas da Bancoop interpuseram recurso de apelação, os quais foram acolhidos em 23 de abril de 2009, suspendendo os efeitos deste acordo."

Pedro Dallari, advogado da Bancoop, disse que "o acordo está mantido". Veemente, Dallari assinala que "foram os cooperados que recorreram contra o acordo, não foi o Ministério Público nem a Bancoop". Segundo ele, a cooperativa "vem cumprindo o acordo e prestando contas das medidas adotadas".

O juiz Lora Franco alertou que não se pode desconsiderar a repercussão política da investigação "porque, faltando cerca de sete meses para as eleições presidenciais, uma das pessoas (Vaccari), de quem foi requerida a quebra de sigilo, estaria sendo indicada como possível integrante da equipe de campanha da virtual candidata do partido atualmente ocupante da Presidência da República".

O juiz recomenda "cautela e rigor no exame dos requerimentos formulados, justamente para que tal atmosfera política não venha a contaminar a investigação ou que esta não venha a ser utilizada por terceiros para manipulação da opinião pública por propósitos políticos". Franco ressalta que "o Ministério Público e o Judiciário são, antes de tudo, instituições de Estado, e não de governo; é imprescindível que sua atuação fique acima de circunstâncias ou convicções políticas".

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