Coordenador da campanha de Dilma nega elo do PT com as Farc

No Foro de São Paulo, Cardozo vê 'falta de discurso oposicionista' para enfrentar a eleição; em carta, Lula critica 'direita'

Ariel Palacios CORRESPONDENTE BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

O deputado José Eduardo Martins Cardozo, coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff, negou ontem a existência de vínculos de qualquer espécie entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "O PT nunca teve e não tem relações com as Farc", disse ao Estado durante uma cerimônia do 16.º Foro de São Paulo em Buenos Aires, evento que reúne representantes da esquerda, centro-esquerda e partidos progressistas da América Latina e do Caribe.

Martins Cardozo atribuiu o ressurgimento do tema às eleições no Brasil. "Tudo isso está sendo novamente reutilizado em um momento eleitoral. A meu ver, isso é a falta de um discurso oposicionista para enfrentar a realidade eleitoral do País. Portanto, a posição do PT e de Dilma é claríssima: o PT não teve nem tem nenhuma relação com as Farc."

Ele também negou a presença das Farc como participante das diversas edições do Foro de São Paulo. "Nunca houve participação das Farc no foro", sustentou.

Martins Cardozo também rechaça qualquer relação entre sua presença no Foro de São Paulo e a campanha de Dilma. Um dos temas da 16.ª versão do encontro, é o controle social dos meios de comunicação.

"Não vejo por que participar dessa reunião possa trazer constrangimentos", afirmou, ainda na véspera do evento. A proposta de controle da mídia chegou a constar do documento A Grande Transformação, contendo diretrizes para o programa de governo de Dilma, aprovadas pelo 4.º Congresso do PT, em fevereiro. Foi retirada, porém, para evitar mais desgastes à candidata.

O deputado insistiu que a participação no evento era como representante do PT, e não da campanha. "O PT está junto com o PSB e o PC do B, que têm assento no Foro de São Paulo. Essa reunião não tem absolutamente nada a ver com a campanha de Dilma. Se eu fui aos outros encontros, por que não iria nesse?"

Carta. Ontem à noite, durante a cerimônia de abertura do evento, o diretor do Foro de São Paulo e secretário de relações internacionais do PT Walter Pomar leu uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na carta, Lula destaca que a região "vive uma situação radicalmente diferente daquela de 20 anos atrás", quando o foro foi criado. "Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões do Foro de São Paulo como forças de oposição hoje somos governo e estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na região como um todo."

Na mensagem, Lula também inclui críticas a opositores: "Uns poucos tentam caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária. É o velho discurso de uma direita que foi apeada do poder pela vontade popular."

Na sequência, faz apologia de seu governo. "(O País) retomou o crescimento depois de décadas de estagnação. Crescemos distribuindo renda, Incluímos 30 milhões de brasileiros que viviam abaixo da linha da pobreza. Criamos 14,5 milhões de empregos formais e aumentamos substancialmente o salário real dos trabalhadores", afirmou o presidente, "O Brasil mudou e vai continuar mudando nos próximos anos."

Membros do partido Comunista da China e integrantes do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba aplaudiram intensamente a leitura da carta de Lula.

Representando o presidente Raúl Castro, Oscar Martínez, pregou a "construção de sociedades socialistas nos países latino-americanos de acordo com as idiossincrasias de cada sociedade". E encerrou o discurso com o clássico grito de guerra do líder guerrilheiro Ernesto Che Guevara: "Até a vitória, sempre!" / COLABOROU VERA ROSA

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