Breno Pires/Estadão
Breno Pires/Estadão

Coordenadora explica como acalmou atirador na escola em Goiás

A coordenadora Simone Elteto falou, em entrevista à TV Globo, sobre os momentos logo após o tiroteio

O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2017 | 02h06

A tragédia que se abateu sobre os alunos do oitavo ano do Colégio Goyases, em Goiânia, poderia ter tido proporções maiores, não fosse a intervenção de uma das coordenadoras da escola, Simone Elteto, a primeira a chegar ao local após os disparos. Na última sexta, dia 20, um aluno de 14 anos, filho de policiais militares, matou a tiros dois colegas e feriu outros quatro.

 

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Simone contou que estava na biblioteca quando tudo ocorreu. Quando chegou à sala do oitavo ano, disse que todos já haviam deixado o recinto, exceto o atirador e as vítimas. Foi nessa hora que ela chegou e se aproximou, para acalmá-lo.

+++Vítima de atirador de Goiânia não quer voltar para escola

A educadora diz que tentou convencer o rapaz a entregar-lhe a arma, mas ele recusou e pediu para que o pai dele fosse chamado. Na sequência, ela o acompanhou para fora da sala. "Chegando no corredor eu fiquei com muito medo de ele entrar nas salas onde tinham outros alunos. Então eu tinha que impedi-lo", disse Simone, com voz embargada.

Ela relata que manteve a conversa com o atirador, posicionando-se na frente dele. Nesse momento, o rapaz teria apontado a arma para o abdômen dela, que reagiu colocando a mão direita no ombro dele e afastando a pistola com a outra mão.

"Falei 'fica calmo, vem comigo, tudo vai ser resolvido'. Aí nós descemos as escadas", relata Simone, que o levou até a biblioteca da escola. Ela continuou segurando as mãos do rapaz o tempo todo e o levou para lá porque o local estava vazio.

+++MP e defesa temem por integridade de atirador

Na biblioteca, a coordenadora pediu para que ele se sentasse em uma cadeira e travasse a arma. E foi atendida. Logo depois os policiais chegaram para apreendê-lo. "Fiquei com medo de ele atirar nos policiais ou atentar contra a própria vida, ou contra a minha", disse.

Sobre sua coragem, a professora diz que sua atitude advém de sua formação dentro da escola. "Tive a certeza, por ter esse diálogo aberto com os meu alunos, que eu iria conseguir fazer com que o aluno me escutasse."

Com relação à suspeita do bullying sofrido pelo atirador, que seria a motivação do crime, Simone diz que nunca soube de reclamações nesse sentido a respeito do referido aluno.

Chorando, ela diz que sente muita dor pelos alunos que se foram, mas que a tragédia vai ajudá-la a crescer como ser humano.

Em seu site oficial, o Colégio Goyaese agradece as mensagens de apoio. "Convocamos a comunidade para nos unirmos em oração pelos alunos que se encontrarm hospitalizados e também pelos pais que perderam tão prematuramente seus filhos", diz a nota.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.