Coordenadoria diz que fuga de presos ocorre por negligência

As duas fugas registradas neste ano no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Hortolândia ocorreram por negligência dos funcionários. A afirmação é do assistente da Coordenadoria das Unidades da Região Central, José Reinaldo da Silva. Ele contestou a declaração de um agente penitenciário, de que não há funcionários suficientes para garantir a vigilância dos presos do CDP. A denúncia foi feita a uma emissora de televisão. O agente afirmou que a falta de funcionários facilita as fugas, porque os trabalhadores são obrigados a dobrar jornadas e acumular funções. Por conta desses problemas, os agentes não podem ser responsabilizados pelas fugas que ocorrem na unidade, defendeu o denunciante, que teve sua identidade preservada. Este ano foram registradas duas fugas no CDP, uma em janeiro, quando escaparam seis detentos, e outra na semana passada, com 11 fugitivos. Entre os que escaparam em janeiro estava Cristiano Nascimento de Faria, braço-direito de Wanderson Nilton de Paula Lima, o seqüestrador Andinho. Nos dois casos há suspeita de facilitação. Os agentes foram remanejados e as ocorrências estão sendo investigadas em inquéritos policiais e sindicâncias administrativas. Segundo Silva, 12 agentes estavam de plantão na noite em que ocorreu a fuga na semana passada. "Mesmo que tivesse um só, ele teria que ter percebido. Os presos cavaram o túnel por quatro ou cinco dias, a noite inteira. Não dava para não perceber", disse o assistente. Ele reconheceu, porém, que o número de funcionários das unidades do Complexo de Hortolândia está defasado e que há turnos dobrados. Silva contou que 900 agentes fazem a segurança nas seis unidades do Complexo, onde estão detidos cinco mil criminosos. O número ideal seria de 1,2 mil funcionários, conforme estudos da própria Secretaria de Segurança Pública. Nos dois CDPs, um deles inaugurado no começo deste mês, trabalham 90 agentes. O restante se divide entre as três penitenciárias e o presídio Ataliba Nogueira, de regime semi-aberto. De acordo com o assistente, nos turnos da noite trabalham entre 12 e 15 agentes em cada unidade. Já durante o dia, o número de funcionários varia entre 20 e 40, dependendo da unidade. A Penitenciária 3 abriga os presos mais perigosos e exige maior segurança. Apesar disso, a P-3, como é chamada, registrou apenas tentativas de fuga este ano, nenhuma delas levada a cabo, conforme Silva. Na P-1, houve uma fuga em 2002, mas os quatro criminosos foram recapturados em seguida. Já na P-2 não houve nem tentativa, explicou o assistente, porque a vigilância no local está sendo feita com auxílio de cães, projeto piloto que pode ser estendido a todas as unidades do Complexo. "Ainda estamos estudando, porque não podemos colocar os detentos em risco", disse Silva. Ele lembrou que em todas as três unidades penitenciárias há presos que trabalham ou que freqüentam aulas, o que dificulta a vigilância por cães. O assistente acrescentou que quanto maior a movimentação na penitenciária, maiores os riscos de fuga. "Mas foi justamente no CDP, onde não há movimentação, é só abrir e fechar as portas, que ocorreram as duas fugas deste ano".

Agencia Estado,

23 de abril de 2002 | 15h55

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