Copa do Mundo atrai até estrangeiros sem seleção

Brasil recebe visitantes de países que nunca viram o próprio país classificado para um Mundial; maioria veio pela festa

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2014 | 07h00

A oportunidade de conhecer o Brasil e participar de uma Copa do Mundo trouxe ao País não só torcedores das 32 seleções classificadas, mas também estrangeiros que, muitas vezes, não tem ideia do que é ter o própria seleção classificado para um Mundial. "Nós começamos a planejar essa viagem ao Brasil há quatro anos. Decidimos vir para cá porque é um local que tem tradição no futebol e que é totalmente diferente da nossa cultura", afirmou o malaio Hari Maheswaran, de 41 anos, que estava hospedado com um amigo na Vila Madalena, em São Paulo. Os dois passaram também pelo Rio e Belo Horizonte e assistiram a Costa Rica e Inglaterra no Mineirão.

Assim como os representes da Malásia, o saudita Mohammed Aldossary, de 29, escolheu esse momento histórico para visitar o País. "Não sou muito fã de futebol, mas eu sempre quis conhecer a América Latina. A Copa do Mundo foi a minha chance", disse ele, que elogiou a amizade dos brasileiros, mas criticou a falta de habilitação na língua inglesa: "Nem todo mundo fala, é difícil se comunicar".

Fora a paixão por futebol, a proximidade também atraiu visitantes. O advogado venezuelano Alejandro Barrios, 26, não desperdiçou o privilégio de acessar a cidade de Manaus por via terrestre e ingressou no País de carro, pela Rodovia BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, capital de Roraima, Estado vizinho dos venezuelanos. "Estou sempre acompanhando a seleção da Venezuela, mas como ela não está na Copa, aproveitei para vir a Manaus ver Estados Unidos e Portugal, porque é perto", disse Barrios, que admitiu torcida pelo Brasil.

Já a estudante paraguaia Carolina Saabedra, de 20 anos, teve mais sorte que sua seleção. Ganhou uma promoção de uma empresa de telefonia para assistir a vários jogos da Copa. Ela foi na abertura em São Paulo e viajou pelo Brasil para ver jogos do Uruguai, Argentina e Coréia. "Eu tenho camisas do Uruguai, Argentina, Holanda e Brasil. Sem o Paraguai, prefiro apoiar os bons times", disse ela.

Festa e torcida. Se depender dos "sem-seleção", o Brasil ganhará o Mundial. Dizendo-se encantados com o País, os visitantes reforçaram a torcida pela nossa seleção. "Aqui é todo mundo muito feliz e menos estressado que em Israel. E as pessoas são muito solícitas", ressaltou o israelense Hagay Amir, de 24, que está viajando pela América do Sul há seis meses e optou por passar pelo Brasil justamente durante o Mundial.

Ele assistiu a partidas em Cuiabá, em Fortaleza e no Rio - no Maracanã, comprou uma camiseta canarinho. O israelense diz ter aprendido algumas palavras em português como obrigado, de nada, por favor e... "Perto e longe. No Brasil, tudo é muito longe", disse Amir, em português, espantado com as distâncias continentais. "Podemos atravessar Israel do Norte ao sul em dez horas".

A fama do Brasil de "festeiro" atraiu um grupo de etíopes que, em uma tarde no centro de São Paulo, poderiam ser facilmente confundidos com brasileiros. De camisetas e chapéus verde e amarelos, os africanos tomavam cerveja e celebravam por estarem no Brasil. "Quisemos vir para curtir a festa. Não conseguimos ingresso para nenhum jogo, mas estamos aproveitando muito. O povo é fantástico. Estamos torcendo, é claro, para o Brasil", disse Aznera Tsegane, de 25, acompanhada pelas amigas Hermela e Zinash. / COLABORARAM PAULO SALDAÑA e BRUNO TADEU, especial para O Estado de São Paulo

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