Copa Fashion Show

Assistida por bilhões de pessoas pela TV, laptop e celular em todo o planeta, a Copa do Mundo é hoje o maior espetáculo da Terra. Mas grandes espetáculos não se fazem só de ação e movimento, mas também de cenografia, figurinos e trilha sonora. O show da Copa não é só de bola.

Nelson Motta, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

Na véspera da final de 1958, como o uniforme da Suécia era igual ao nosso, o roupeiro da delegação foi a uma loja de esportes de Estocolmo e comprou um jogo de camisas azuis de algodão e calções brancos. Com os escudos da CBD (hoje CBF) costurados às pressas no peito, a seleção canarinho entrou em campo de azulão e foi campeã do mundo.

Nesse tempo ninguém dava bola para uniformes. Nos anos 70, eles começaram a evoluir, com tecidos sintéticos, camisas mais justas e shorts mais curtos, iniciando a era das grandes marcas de material esportivo. Na Copa de 78, os campeões argentinos usavam shorts inversamente proporcionais ao tamanho das cabeleiras: eram quase sungas. Em 82, Zico, Falcão e companhia deram show de bola com seus shortinhos cavados e camisetas justas.

Nos anos 90, a moda Copa chegou ao seu ponto mais baixo, com camisões folgados e enormes estampas, shorts longos e largos como bermudas de rapper, uma modelagem que achatava os jogadores e castigava especialmente os baixinhos. Vendo o gênio de Romário sobrando dentro daquele abadá amarelo, eu me perguntava por que não fabricavam uniformes P e M, só GG ?

Felizmente essa moda passou. Os figurinos desta Copa estão lindos. Com tecidos high tech, as camisas estão mais justas e parecem feitas sob medida, os shorts em perfeita proporção com as pernas e as meias com frisos verticais alongam e valorizam os corpos dos atletas. As cores, as formas e os detalhes nunca foram tão bonitos, o uniforme negro e ouro da Alemanha é o must da temporada. Os goleiros são um show a parte, e até os juízes ficaram elegantíssimos nos figurinos Puma, Adidas e Nike.

Os cenários também estão lindos e grandiosos. Só não se sabe o que a África do Sul vai fazer com esses estádios depois da Copa.

Mas a trilha sonora é a pior de todos os tempos: o zumbido infernal das vuvuzelas.

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