Copacabana perde penúltima casa da orla

Imóvel abrigava consulado da Áustria e deve dar lugar a prédio

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

08 Agosto 2009 | 00h00

A casa rosa que abriga o Consulado Geral da Áustria, a penúltima da orla de Copacabana, foi vendida. Como não consta da lista oficial de bens tombados do Município, o imóvel poderá ir abaixo para dar lugar a mais um prédio e quase completar a muralha da Avenida Atlântica. A negociação foi confirmada pelo cônsul-geral austríaco, Peter Waas, que não informou o valor nem o nome do comprador.Waas lamentou o fato de ter de deixar o Rio, onde morava havia dois anos. "A decisão veio da Áustria. O prédio foi vendido. Fico triste, sim. É muito bom morar no Rio", disse ele, que ficará na cidade até o fim de outubro. Segundo o cônsul, a sede carioca é uma das dez representações no mundo que serão fechadas. Waas, no entanto, afirmou que a decisão não tem a ver com a crise econômica.O secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias, disse que, apesar de a casa não ser tombada, "qualquer projeto precisa passar pelo Conselho de Patrimônio do Município". Já o coordenador de Conservação da Subsecretaria de Patrimônio Cultural, Paulo Vidal, informou que o eventual tombamento do imóvel "não é objeto de estudo, até o momento".O vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Rubem Vasconcelos, disse que a casa fica no ponto mais valorizado de Copacabana, o Posto 6, e que o metro quadrado construído ali custaria R$ 12 mil. Portanto, um apartamento de 200 metros quadrados, o padrão da área, segundo ele, sairia por R$ 2,4 milhões."É uma pena, porque cada vez mais marcos históricos são apagados", disse, lamentando a eventual demolição, a geógrafa Elizabeth Dezouzart, autora do livro História dos Bairros - Copacabana (1986). A construção mais antiga da orla é o prédio do Copacabana Palace, de 1923. Palacetes da década de 1910 não existem mais. "Foram vários ?bota-abaixo?. O maior boom imobiliário ocorreu na década de 1940, com o decreto de 1937, que permitiu construções de até 12 pavimentos", disse ela. Dias afirmou que a prefeitura não faz ações para incentivar novas construções no bairro, já muito adensado, mas que as restrições devem seguir a legislação. "De qualquer maneira, hoje 12 metros é a altura máxima, e o sombreamento da praia deve ser observado."A casa vendida pelo consulado, de dois pavimentos, fica no número 3.804 da avenida, a cinco prédios daquele onde Oscar Niemeyer mantém seu escritório. Há outra casa, com fachada de pedra e varanda, no número 2.692. São as duas últimas da orla de Copacabana.A funcionária pública aposentada Zelita Pereira, de 79 anos, lia jornal sentada numa cadeira de praia na calçada na frente da casa rosa. Ela mora desde 1963 no prédio ao lado, onde funcionou a famosa Galeria Alaska. "Essa casa é bonita, tem história. Seria maravilhoso se fosse conservada. Vão fazer um espigão aqui? Não poderiam fazer uma biblioteca?"

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