Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Coques também fazem as cabeças masculinas

Antes usado só entre as mulheres, agora o penteado ganhou adeptos de várias áreas, como jogadores de futebol, artistas, modelos e até advogados

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 18h20

O coque está fazendo a cabeça dos homens. Jogadores de futebol, modelos, atores, cabeleireiros e até advogados estão aderindo ao penteado antes parte dos artifícios femininos de beleza. O ator Reynaldo Gianecchini é o adepto mais recente da tendência, que já foi adotada pelo jogador do Paris Saint-Germain Zlatan Ibrahimovic, pelos atores Rômulo Arantes Neto, Bradley Cooper, Jared Leto e Jake Gyllenhaal.

Desde dezembro, o advogado Rafael Antonelli Marcos, de 33 anos, está usando o penteado. Ele estava de férias e resolveu experimentar o visual, que acabou integrando o seu estilo. “Trabalho com o mundo corporativo, empresas, lugares que têm regras mais rígidas, mas, para minha surpresa, não tenho sentido espanto por parte do público. Não foi uma questão de estética, mas queria mostrar a minha personalidade informal”, explica.

Marcos diz que, no início, precisou de ajuda para fazer o coque. “No começo, meu cabelo era mais curto e eu não conseguia fazer, mas minha namorada me ensinou. Ela gostou e me incentivou.”

Professor de História da Arte e de História da Moda da Faculdade Santa Marcelina, João Braga afirma que o homem usou coque em alguns momentos na História, como na Mesopotâmia, quando capacetes de guerra até tinham o formato do penteado, na Roma Antiga e pelos samurais, cuja referência é mais marcante para as pessoas.

“Em teoria, o coque seria um penteado feminino. No Ocidente, o uso por homens tem sido uma novidade. Hoje, existe uma descontração na moda, união dos gêneros masculino e feminino.”

Braga diz que o diferencial dessa tendência é que o look, geralmente, é incrementado com a barba. “Mais do que o penteado do coque, uns na nuca e outros no alto da cabeça, tem o uso da barba, que é um código de masculinidade.”

O coque e a barba compõem o estilo do cabeleireiro Rodrigo Castellari, de 33 anos, que adotou o visual por praticidade, mas que não descuida da aparência. “Uso leave-in todos os dias e máscara uma vez por semana. A barba tem de estar bem cuidada e aparada. Não é aconselhável usar sabonete nela, mas xampu e condicionador”, ensina. Ele diz que sua mulher aprova o visual.

Castellari concorda que o penteado está na moda. “Vejo muita gente deixando o cabelo crescer para usar coque”, diz ele, que trabalha no salão The Hairdresser.

A combinação barba-coque abriu um caminho profissional para o designer gráfico e DJ Carlos Henrique Cardoso, de 28 anos. “Por causa desse estilo, me chamaram para fazer trabalhos como modelo alternativo”, conta.

Cardoso diz que começou a usar coque em 2010, quando tinha o cabelo comprido, mas passou a máquina zero. Recentemente, voltou a usar o penteado. A barba está presente há dois anos. Solteiro, ele diz que o visual faz sucesso com o público feminino. “As mulheres curtem. Muitas adoram, falam que acham bonito. Poucas acham feio”, afirma.

Desencanado. Há um ano e meio, o grafiteiro Guilherme Matsumoto, de 28 anos, começou a deixar o cabelo crescer e a prendê-lo no topo da cabeça. “Como começou a ficar grande, atrapalhava. Eu me inspirei nos samurais, porque tenho origem japonesa.”

Matsumoto diz que não tem grandes truques para manter os fios em ordem. “Sou mais desencanado. Não faço nada demais e, às vezes, prendo até molhado.” Ele também recebe elogios. “Estou namorando, praticamente casado, e ela adora o meu cabelo.”

Uma rotina de cuidados não faz parte do dia a dia do estudante Hernando José Pacheco, de 21 anos. “Só lavo meu cabelo com xampu e condicionador. Já tive o cabelo grande, cortei e deixei crescer de novo. Uso assim há um ano, porque gosto mesmo.” Além de um elástico, ele usa um grampo para manter os fios alinhados.

Hairstylist do salão Gilberto Cabeleireiros, Marcos Coraza diz que é preciso tomar cuidado para não estragar as madeixas. “Como qualquer cabelo, deve-se evitar prendê-lo molhado e sempre da mesma forma, para não marcar e partir os fios.” 

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