Cordeiros: os trabalhadores que puxam o carnaval baiano

Transpiração e suor fazem parte do carnaval. Especialmente para os trabalhadores que puxam o Carnaval baiano à frente, os chamados "cordeiros" ou "frente de corda". Eles à frente dos trios elétricos puxando por cordas azuis de náilon os caminhões em grupos de 20, às vezes menos, às vezes mais. Trabalham das 20 horas às 3 horas da manhã, sete horas com mais de 120 decibéis nos ouvidos (o limite recomendado para os ouvidos humanos é 90 decibéis). Quanto ganham para isso? R$14 (duas fatias do queijo brie que se servem nos camarotes luxuosos do circuito Barra-Ondina). Detalhe: ganham isso por todo o percurso do carnaval. Se você parar para conversar com algum dos cordeiros, no entanto, eles são os mais solícitos e sorridentes. "Aqui tá tudo beleza. O atendimento é o melhor possível. O único problema é que não tão dando o vale-transporte", diz Paulo Santos Souza, cordeiro interno de um dos trios elétricos. Ele e o irmão, Artur dos Santos Souza, de 33 anos, estão na linha de frente, com as luvas brancas de marceneiro para que a corda não corte suas mãos. Artur é cordeiro desde os 22 anos - tem 33 hoje. "Fui frente de trio desde o Chiclete com Banana", diz. Segundo os irmãos Souza, o tratamento dos donos dos trios elétricos é "bastante bom". "Só não pode beber nada. Mas a gente bebe antes", diz Artur. Arthur explica como funciona. O pessoal da linha de frente faz mais força que os outros. Quando um deles não está mais rendendo, é passado para a linha lateral dos puxadores de corda. "Muita gente faz corpo mole. Mas todo mundo ganha a mesma coisa", ele diz. Nem todo mundo usa luvas também, mas ele diz que isso é opção. "Machuca, faz calo, come a carne. Mas todo mundo tem, não usa quem não quer".

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