Coronel da PM é preso em flagrante acusado de estupro de menina de 2 anos

Oficial foi flagrado em um carro com menina nua, no complexo de favelas da Maré (zona norte do rio); para não ser preso, ele teria tentado subornar os policiais militares que o abordaram

Luciana Nunes Leal, Estadão Conteúdo

11 Setembro 2016 | 11h29

O coronel reformado da Polícia Militar (PM) Pedro Chavarry Duarte, de 62 anos, foi preso em flagrante na noite de anteontem sob acusação de estupro de vulnerável e corrupção ativa. O oficial foi flagrado em um carro com uma menina de dois anos, nua, no complexo de favelas da Maré (zona norte). Para não ser preso, ele teria tentado subornar os policiais militares que o abordaram.

A polícia chegou até o coronel por meio da denúncia anônima de que um homem estava na Rua Barreiros, em Ramos, com uma criança nua que chorava, dentro de um carro estacionado em um posto de gasolina. Segundo a PM, o coronel se identificou e propôs que a ocorrência fosse encerrada, em troca de vantagens para os PMs do 22º Batalhão (Maré). Um dos policiais filmou a tentativa de suborno.

Chavarry preside a Caixa Beneficente da PM do Estado do Rio. Em janeiro passado, foi reeleito por mais três anos para o comando da instituição, que tem 30 mil associados. Em 2014, foi candidato a deputado federal pelo PSL. Obteve 1.948 votos e não foi eleito. O coronel foi levado para a Cidade da Polícia, no Jacaré (zona norte), e depois transferido para a Unidade Prisional da PM em Niterói, cidade na região metropolitana.

Segundo informações de moradores da região repassadas à polícia, não foi a primeira vez que o policial levava a criança. A mãe da menina também teria sido presa, informação nem confirmado nem desmentida pela polícia.  A criança ficou sob os cuidados de uma vizinha.

Em nota, a Polícia Civil informou que o coronel reformado foi autuado em flagrante pela delegada Carolina Marins, da Central de Garantias, pelos crimes de estupro de vulnerável e corrupção ativa. Segundo a polícia, “cópias do procedimento serão encaminhadas ao Conselho Tutelar, para garantir a assistência à criança, e à 21ª Delegacia de Polícia, para prosseguir na investigação quanto a possíveis envolvidos no crime”.

Também em nota, a PM confirmou a prisão do coronel e a tentativa de suborno. “O senhor se identificou como policial reformado e pediu que a ocorrência fosse encerrada, oferecendo vantagens aos policiais militares. A equipe recusou a oferta e o conduziu preso para o registro”, diz o comunicado. Segundo a PM, o coronel responderá pelos crimes na Justiça comum e também será submetido a processo administrativo disciplinar, que avaliará sua expulsão da corporação.

“A Polícia Militar repudia e combate qualquer tipo de crime. O crime não pode passar da pessoa de quem o cometeu. Não é a instituição, mas um cidadão que cometeu um crime abjeto e que não teve e nunca terá nossa complacência”, diz a nota da PM.

O crime de estupro de vulnerável prevê pena de oito anos a 15 anos de prisão. Por ser crime hediondo, os prazos para progressão da pena e liberdade condicional são mais longos e vedados benefícios como fiança e indulto. A pena para corrupção ativa é de um ano a oito anos de prisão.

O site da Caixa Beneficente da PM informa que Pedro Chavarry Duarte ingressou na carreira militar com 19 anos, serviu nos batalhões do município de Campos e, na capital, de Bangu (zona oeste) e de Olaria (zona norte). O coronal está na presidência da Caixa Beneficente há seis anos e tem mandato até 2019. Segundo a instituição, o policial trabalhou nos gabinetes do comando-geral e do departamento de relações públicas da PM.

Secretário de Assistência Social do Estado, o deputado estadual Paulo Melo lembrou que, no início dos anos 90, presidiu uma CPI que apurava extermínio de crianças. Na ocasião, Chavarry Duarqt, então capitão, chegou a ser preso, sob acusação de participar de uma quadrilha de tráfico de bebês.

"Á época fui procurado por uma associação de moradores de Bangu, que relatou o envolvimento de um PM na venda de crianças. Montamos uma operação com a ajuda do 14º BPM (Bangu) e ficamos esperando no local usado pela quadrilha como cativeiro, onde os bebês eram deixados de manhã, sob efeito de tranquilizantes, e, à noite, transportados pelo bando. Quem da quadrilha chegou para pegar o bebê, de apenas quatro meses, foi o então capitão Pedro Chavarry. Foi preso e autuado em flagrante", recorda Paulo Melo.

Segundo o secretário, o oficial recorreu a uma série de medidas protelatórias, o processo “se arrastou na Justiça” e o acusado saiu impune. Melo determinou que a Secretaria de Assistência Social acompanhe o caso policial e dê assistência à vítima.

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