Coronel da PM foi morto por grupo de extermínio

Arma do crime é a mesma usada em chacina que deixou 6 mortos em 2007, atribuída a policiais militares

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 00h00

Um grupo de extermínio assassinou o coronel José Hermínio Rodrigues, que comandava a Polícia Militar na zona norte de São Paulo. A principal suspeita é que o grupo "Matadores do 18", composto por policiais do 18º Batalhão, esteja por trás do crime. A prova é um exame de balística que mostra que a arma usada para matar o coronel é a mesma que foi utilizada em uma chacina que deixou seis mortos e um ferido em 29 de junho de 2007, na região da Água Fria, zona norte de São Paulo.Testemunhas acusavam policiais de terem participado da matança, ocorrida um dia depois que um soldado da PM foi morto num assalto no bairro. Os assassinos encapuzados estavam em três motos. Usaram uma pistola calibre 380 e outras armas. Foram as cápsulas disparadas pela pistola calibre 380 que foram comparadas com as achadas ao lado do coronel. A marca deixada pela pistola nas cápsulas disparadas nos dois crimes era igual, demonstrando que saíram da mesma arma.Não se sabe ao certo o motivo da morte do coronel, mas a suspeita maior é que Hermínio tenha sido assassinado por ter afastado da Força Tática do 18º Batalhão vários policiais suspeitos de envolvimento em chacinas de 2007 - de 13 casos na capital, no ano passado, 8 ocorreram na zona norte.O principal suspeito de ser o autor do assassinato é o soldado Pascoal dos Santos Lima. Acusado de outros seis homicídios, Lima foi alvo de investigação da Corregedoria da PM em 2007 por causa das "derrubadas" na região do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-3 (CPA-M3). Na época, dizia aos colegas que era "preciso sentar o aço" em seu desafetos.Lima é dono de uma moto Honda Falcon preta, igual à usada pelo assassino do coronel, que vestia um coturno de cano curto - o matador chutou o rosto de Hermínio, depois de baleá-lo. Pascoal teve a prisão temporária decretada pela Justiça por causa da morte da mãe de J.V.S., um traficante que se recusou a pagar propina aos PMs, e por tentar matar o traficante.Outros dois integrantes do 18º Batalhão também foram presos: os sargentos Ricardo da Rocha Benetti e Helber Antônio de Freitas. Benetti foi indiciado por tentar matar J.V.S., que o reconheceu. Freitas foi indiciado por receptar cheques roubados. Os três se dizem inocentes.O coronel Hermínio havia assumido o comando do CPA-M3 em 2007. A primeira emergência enfrentada por ele em sua área foi causada pelos Matadores do 18.Eles mataram seis jovens no Jardim Elisa Maria, em 1º de fevereiro. As investigações mostraram que o pivô do delito morava no bairro. Ele teria chamado seus amigos do 18º Batalhão para dar um jeito em "uns moleques que estavam roubando na vizinhança". A polícia recebeu em 2007 a informação de que entre os autores dessa chacina estava Benetti.Ao Estado, o soldado P., que denunciou execuções feitas por membros da Rota e do 18º Batalhão em 2006, contou que a chacina foi cometida por seis ou sete dos Matadores do 18. "Teve o pessoal que foi pra cima e teve o pessoal que teve de ficar no pano (dando proteção). Não dá pra ir todo mundo. Tem uns 15 no grupo, mas não dá pra ir os 15, pois eles ?tavam? de serviço no dia. Eles tiveram de tirar a farda e um monte de coisa."Os Matadores do 18 são suspeitos de pelo menos três chacinas em 2007. "Conheço um deles: ele é psicopata. Ele tem necessidade de matar. Quando ele estava no 18, na Força Tática, o pessoal deixou ele meio de lado, porque ele era problema. Aí ele passou a matar sozinho, pois ele tem necessidade de matar pelo menos um ou dois por semana", disse P. ao Estado.

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