Coronel disse que corria risco

Policial combateu chacinas e máfia dos caça-níqueis

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2008 | 00h00

O combate às chacinas e à máfia do jogo e a retomada das mãos do crime organizado da região do Jardim Elisa Maria, na zona norte de São Paulo, levaram o coronel José Hermínio Rodrigues a se preocupar com o que lhe poderia acontecer. O assunto foi tratado ontem durante reunião do Conselho da Polícia Civil, e as preocupações do coronel foram relatadas por um diretor de departamento.Segundo quatro delegados ouvidos pelo Estado, o coronel, que tinha boas relações com alguns integrantes da Polícia Civil, disse que sabia que corria risco, pois estava incomodando grupos criminosos perigosos.Hermínio foi um dos oficiais responsáveis por cumprir a determinação do comando da corporação para investigar a possível participação de PMs em chacinas na zona norte. Foram os homens comandados pelo coronel os responsáveis pela apreensão, com o advogado Jamil Chokr, da lista de propinas que a máfia dos caça-níqueis supostamente pagava a 84 delegacias de polícia. "Conversamos sobre isso, pois eram crimes que nos preocupavam. Ele vinha acompanhando o desenrolar dessas investigações para poder identificar os criminosos e tomar medidas para prevenir esses crimes", afirmou o comandante-geral da PM, coronel Roberto Antônio Diniz.Hermínio era responsável ainda pela expulsão dos narcotraficantes que controlavam o Jardim Elisa Maria. No lugar, a Secretaria da Segurança Pública desenvolveu o programa Virada Social, que derrubou os índices de violência em toda a região da Brasilândia por meio do reforço do policiamento, com a prisão de bandidos e apreensão de armas e drogas, além de ações sociais e culturais nos bairros. O projeto inspirou ações do governo federal para a intervenção em áreas de altos índices de criminalidade e se transformou em menina-dos-olhos da gestão José Serra.Apesar do enfrentamento com os traficantes, a inteligência da PM considera improvável que o crime tenha sido encomendado pela cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). "Ele estava enfrentando os homicídios e o tráfico na zona norte. É estranho o que houve. Ninguém daria tantos tiros nele por causa de uma simples bicicleta", afirmou um tenente-coronel que se formou com Hermínio em 1980 na Academia de Oficiais do Barro Branco da PM.

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