Vlademir Alexandre/AE
Vlademir Alexandre/AE

Coronel no RN reúne policiais e pede voto

Chamados para apresentação de novas armas, militares de Caicó foram surpreendidos

Anna Ruth, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

O coronel Marcondes Pinheiro, coordenador de Segurança do governador do Rio Grande do Norte, Iberê Ferreira (PSB), é acusado de pedir votos em uma reunião com policiais. A denúncia foi feita pela Associação das Praças da Polícia e Bombeiros Militares do Seridó ao Ministério Público Eleitoral da cidade de Caicó.

Segundo a denúncia, Marcondes reuniu policiais militares para pedir voto para o governador, para a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), que disputa uma vaga no Senado, e para o coronel da reserva Rosano Taveira, candidato a deputado estadual pelo PRB. A reunião foi realizada em Caicó, que tem 60 mil habitantes e fica a 280 quilômetros de Natal. Segundo o presidente da Associação dos Militares, cabo João Batista Dantas, cerca de 100 policiais militares fardados, do 6.º Batalhão de Polícia Militar, foram atraídos para reunião com a informação de que assistiriam à apresentação de novas armas a serem adquiridas pelo Estado. "Quando chegamos lá, ele (Marcondes) pediu voto para o governador, para ex-governadora e para o coronel Taveira", afirmou.

Dantas disse ainda que o coronel chegou a exibir um vídeo onde mostrava as obras realizadas por Wilma de Faria e por Iberê. "E ele disse que, para continuar bom, tinha que votar em Iberê."

Sem obrigação. Procurado pela reportagem, o coordenador de Segurança do governador confirmou a reunião com os policiais militares, mas disse que teve a preocupação "apenas de mostrar as obras realizadas".

O coronel admitiu que focou o discurso mostrando o trabalho realizado por Iberê. "Eu mostrei os investimentos do governo, mas no dia 3 de outubro a pessoa vota em quem quer. Ninguém foi obrigado a ir para a reunião", disse o coronel, que já foi comandante-geral da PM no governo de Wilma de Faria.

Marcondes nega ter direcionado o voto dos policiais na reunião. "O voto é livre. Também não sou criança de promover um encontro desse na hora de trabalho e ainda em prédio público", frisou o coronel, que reuniu a tropa no Centro Pastoral Dom Wagner, um prédio administrado pela Diocese de Caicó.

Questionado sobre quem teria convidado os soldados para o evento, o coordenador de Segurança disse que não foi o autor da convocação. Ele afirmou acreditar que "foram os comandantes".

O episódio protagonizado pelo coronel Marcondes Pinheiro foi o segundo ocorrido essa semana em que um gestor do Rio Grande do Norte é acusado de pedir votos a subalternos. Na última segunda-feira, a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), reuniu os ocupantes de cargos comissionados em um clube da capital e pediu que cada um conseguisse dez votos para Rosalba Ciarlini (DEM), candidata ao governo, para os senadores José Agripino Maia (DEM) e Garibaldi Filho (PMDB), candidatos à reeleição, para Miguel Weber (PV), marido da prefeita e candidato a deputado estadual, e Rosy de Sousa (PV), irmã de Micarla que tenta vaga na Câmara. A prefeita nega.

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