Jarbas Oliveira/EFE
Jarbas Oliveira/EFE

Corpo de Bombeiros confirma 3 mortos em desabamento de prédio de Fortaleza

Edifício Andréa caiu na manhã desta terça-feira e deixou ao menos nove pessoas feridas e outras oito desaparecidas

Caio Faheina,*Jackson Moura, *Tunay Peixoto, *Lôrrane Mendonça, * Israel Gomes, *Heloísa Vasconcelos, *especiais para o Estado

16 de outubro de 2019 | 02h50
Atualizado 16 de outubro de 2019 | 20h29

FORTALEZA E SÃO PAULO - O Corpo de Bombeiros do Ceará confirmou nesta quarta-feira ,16, a morte de três pessoas no desabamento do edifício Andréa, no Dionísio Torres, bairro nobre de Fortaleza. A queda do prédio deixou ainda sete feridos e outros sete desaparecidos.

Localizado na esquina das Ruas Tibúrcio Cavalcante e Tomás Acioli, o edifício residencial de sete andares desmoronou por volta das 10h15 de terça-feira, 15. À noite, foi encontrado o primeiro corpo: do vendedor Frederick Santana dos Santos, de 30 anos, que estava em um mercado vizinho e acabou sendo atingido.

Nesta quarta, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Miltiar do Ceará, o coronel Eduardo Holanda, confirmou mais duas mortes. Segundo a corporação, as vítimas seriam mulheres mas ainda não foram identificadas.

Os corpos ainda não teriam sido resgatados sob os escombros, por se tratar de local de difícil acesso. Segundo os Bombeiros, por enquanto, não é possível utilizar máquinas pesadas para não provocar instabilidade no local. Cães farejadores também trabalham para encontrar possíveis vítimas. 

Pessoas socorridas com vida foram encaminhadas para unidades de saúde da rede pública, passaram por cirurgia e estão em recuperação. Inicialmente, os Bombeiros haviam informado o resgate de oito vítimas, mas o número foi corrigido para sete. Um dos nomes estaria duplicado na lista.

O primeiro resgatado foi Fernando Marques, de 20 anos. Após ser encaminhado a hospital particular, ele foi liberado ainda na terça à noite.

Duas vítimas estão atualmente no Instituto Doutor José Frota (IJF): Gilson Moreira, de 53 anos, e Cleide Maria da Cruz, de 60.  Ela sofreu alguns ferimentos e se encontra em quadro estável. A unidade também atendeu Maria Antônia Peixoto, de 72 anos, que depois foi transferida, a pedido da família, para um hospital particular.

Já Moreira sofreu fraturas nas duas pernas, passou por cirurgia e está em estado grave. Ele aguarda por outros procedimentos cirúrgicos. Filho da vítima, Nazareno Gomes afirma que o IJF é "o melhor hospital do Estado", mas pede que o pai seja transferido "urgente" para uma UTI. 

"Após o acidente, meu pai apagou, mas não sabe por quanto tempo. Quando ele acordou, viu um rapaz pedindo ajuda e se engasgando com o próprio sangue", conta. "Ele pediu ao rapaz para ter calma, que pediria ajuda. Eu falei com meu pai ontem e ele me disse: 'Meu filho, eu vi uma pessoa morrer na minha frente e eu não quero isso para ninguém'.” 

Superintendente adjunto do IJF, Osmar Aguiar afirma que Moreira tem fraturas em ambos os membros inferiores e uma fratura exposta no dedão do pé. "Agora à tarde, ele vai passar por um tratamento traumatológico de uma fixação para dar conforto e estabilidade para as outras fraturas", diz. "Em nenhum momento, foi identificado uma necessidade clínica de ele ser conduzido para outra unidade."

Davi Sampaio Martins, de 22 anos, está internado no Hospital Otoclínica. Quando ainda se encontrava sob os escombros, ele fez uma selfie para avisar à família que estava bem. 

Por sua vez, Francisco Rodrigues Alves, de 59, está no Frotinha da Messejana e aguarda transferência para o IJF. Ele se encontra consciente, mas não foram divulgados mais detalhes sobre seu estado de saúde.

Desaparecidos

"Esperança, esperança, esperança". O sentimento, repetido muitas vezes pelo corretor de imóveis Rômulo Marques, de 54 anos, é depositado nas buscas de três familiares que moravam no edifício Andréa. Os tios dele - Izaura Marques, de 83 anos, e Vicente Menezes, de 86 - moravam no quinto andar do edifício e ainda não foram localizados. A filha do casal, Rosane Menezes, de 55 anos, também está desaparecida. Ela morava com o filho Fernando Menezes (que foi resgatado) no terceiro andar. 

"Eles não respondem a estímulos da equipe de resgate, mas seguimos com esperança. Enquanto tivermos possibilidade de encontrar, vamos seguir", disse Marques, que está com outros 14 familiares no local.  Todos passaram a madrugada rezando e aguardando respostas. 

Segundo afirma, a equipe de resgate localizou alguns corpos, mas ainda sem identificação. Os familiares não têm acesso às pessoas resgatadas. Houve pedido de teste de DNA para os familiares presentes.

Nas últimas horas, os Bombeiros não captaram nenhum tipo de som ou pedido de socorro no local. Para o coronel Holanda, no entanto, isso não significaria que não há mais sobreviventes. Segundo explica, com o passar do tempo, as pessoas vão se debilitando e encontraram dificuldade para emitir sons. Ele acrescentou que ainda há alguns “bolsões” nos escombros, onde podem estar os desaparecidos.

No início desta noite, 125 bombeiros trabalham nos escombros em cinco pontos diferentes. O coronel não deu estimativa de quantos dias a operação vai continuar.

Responsabilidade pelo desabamento

O Ministério Público do Ceará informou, em nota, que vai adotar todas as providências necessárias pra apurar as responsabilidades e evitar que casos como o do desabamento do Edifício Andréa voltem a ocorrer no Estado. Integrantes dos Núcleos de Investigação Criminal e  Atendimento às Vítimas da Violência estão no local para acompanhar as investigações do desabamento e prestar apoio às pessoas resgatadas. 

Além disso, uma força-tarefa com promotores das áreas do Meio Ambiente, Cidadania e de Políticas Urbanas e Fundiárias vai monitorar as ações junto aos diversos órgãos públicos. O objetivo é levantar a situação de outros prédios que estejam irregulares, levando risco à população.

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar as circunstâncias do desabamento do Edifício Andrea. Testemunhas já foram ouvidas e as apurações estão em andamento. 

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), Emanuel Maia Mota, diz que o edifício tinha ao menos 42 anos e as Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) emitidas anteriormente eram, na maioria, para manutenção de elevadores.

O Estado obteve acesso à ART registrada na véspera do desabamento: o escopo cita apenas "recuperação das construções", sem especificar quais intervenções seriam feitas, e "pintura". 

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