Corpo de estudante é enterrado em Santa Cruz do Sul

Milhares formaram filas em ginásio para prestar solidariedade à família de Matheus Rafael Raschen

Luana Rodrigues,

01 Fevereiro 2013 | 17h33

SANTA CRUZ DO SUL, RS - O local onde o santa-cruzense Matheus Rafael Raschen, 20 anos, iniciou a carreira como jogador de basquete serviu nesta sexta-feira de espaço para o velório do jovem, cuja morte eleva para 236 o número de vítimas do incêndio na boate Kiss, ocorrido no domingo passado, em Santa Maria (RS). Foi no ginásio de esportes do Clube Corinthians, no centro de Santa Cruz do Sul, que amigos e parentes deram o último adeus para o ex-jogador da Seleção Brasileira Sub-18 de basquete.

Embaixo do placar eletrônico, onde ao invés do nome de uma equipe estava o de Matheus, foi colocado o caixão coberto pelas bandeiras do Grêmio Futebol Porto Alegrense e pela camisa que o jovem usava no time de basquete Corinthians/RS, onde atuou por mais tempo durante a carreira. O time, campeão brasileiro em 1994, também sofreu nesta semana a perda de Ary Vidal, que comandou a vitória dos gaúchos e faleceu no Rio de Janeiro aos 77 anos.

A morte do jovem comoveu a cidade de 120 mil habitantes, localizada a 150 quilômetros do local da tragédia, onde Matheus cursava o quarto semestre de Tecnologia em Alimentos, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Milhares de pessoas formaram filas no interior do ginásio para prestar solidariedade à família. O pai da vítima, Nestor Raschen, é figura conhecida por exercer a função de vice-diretor de um dos maiores colégios da cidade.

Assim como dezenas de vítimas do incêndio na boate Kiss, o santa-cruzense foi encaminhado ainda durante a manhã de domingo, de helicóptero, para o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Quando deu entrada na primeira casa de saúde, estava consciente, mas foi sedado devido às queimaduras de 2º e 3º grau pelo corpo e pela intoxicação com a fumaça. Ele ficou cinco dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e faleceu na noite de quinta-feira após uma parada cardíaca. Durante a semana, iniciou tratamento com antibióticos pelo risco de infecção nos pulmões e submeteu-se a sessões de hemodiálise.

A família chegou a ter esperanças na recuperação de Matheus quando ele começou a respirar usando apenas 40% da ventilação mecânica. No entanto, o quadro de saúde regrediu e horas antes de falecer ele voltou a usar 100% do oxigênio. "Foi a última jogada de um menino de ouro", resumiu o pai.

Matheus ia quase todos os finais de semana para a cidade natal, mas ficou em Santa Maria para prestigiar o evento que os colegas organizavam com o objetivo de arrecadar dinheiro para a formatura. O pai da vítima conta que ficou sabendo por meio de relatos de populares, que o jovem teria saído em boas condições de saúde da boate, mas que teria voltado ao local para ajudar a salvar os amigos.

O sepultamento ocorreu no final do dia no Cemitério Municipal de Santa Cruz do Sul. Matheus deixa a namorada Daniela, além dos pais Nestor e Núria e o irmão Samuel. No domingo, os santa-cruzenses farão uma caminhada pelas ruas da cidade em memória das vítimas do incêndio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.