Marielle Franco/Facebook
Marielle Franco/Facebook

Polícia acredita em execução de vereadora; crime leva multidão às ruas

Morte de Marielle Franco desencadeou protestos no Rio, em São Paulo, Salvador, BH e Recife e também mobilizou redes

Daniela Amorim, Fábio Grellet e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 10h14
Atualizado 16 Março 2018 | 01h11

RIO - A Polícia Civil do Rio trabalha com a hipótese de execução para a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), ocorrida na noite de quarta, na região central do Rio. Nesta quinta-feira, 15, uma multidão foi às ruas no Rio e em capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Recife para cobrar justiça, e houve forte mobilização nas redes sociais. Ativista de direitos humanos, Marielle levou quatro tiros quando voltava de uma reunião com o motorista Anderson Pedro Gomes e uma assessora parlamentar. Gomes também morreu.

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A direção dos disparos contra o carro, para investigadores, é um dos indícios de que houve ataque premeditado. Embora os vidros do veículo de Marielle estivessem cobertos por película escura, os assassinos pareciam saber o local exato onde ela estava sentada. A vereadora foi atingida por três tiros na cabeça e um no pescoço. 

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Milhares de pessoas se reuniram ao redor da Câmara Municipal, no Palácio Pedro Ernesto, centro do Rio, onde foi realizado o velório de Marielle e Gomes. A vereadora foi enterrada no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Líderes de movimentos sociais e políticos acompanharam a cerimônia. À noite, houve nova mobilização pacífica na Cinelândia.

Em São Paulo, a manifestação começou no fim da tarde, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). Toda a pista da Avenida Paulista no sentido da Rua da Consolação foi interditada a partir do museu. Em Salvador, participantes do Fórum Social Mundial saíram em passeata em protesto contra o crime. Em todas as capitais, os manifestantes pediram justiça e carregavam cartazes com a frase “Marielle, presente”.

No início da tarde, a morte de Marielle era o assunto mais comentado no Twitter, com 289 mil tuítes sobre o crime. Jornais como o inglês The Guardian, o americano The New York Times e o francês Le Monde trataram do ataque.

O crime também colocou o País sob pressão da Organização das Nações Unidas (ONU) e da comunidade internacional. Entidades como Anistia Internacional, Transparência Internacional e Human Rights Watch exigiram resposta rápida do governo. O partido espanhol Podemos pediu à Comissão Europeia que suspenda as negociações comerciais com o Brasil para fechar um acordo de livre comércio com o Mercosul.

Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann disse que a Polícia Federal vai ajudar na apuração do caso, mas as investigações seguirão sob comando da Polícia Civil fluminense. “Quem cometeu esse bárbaro crime não ficará impune.” 

O presidente Michel Temer afirmou que o crime “é inaceitável, inadmissível, como todos os demais assassinatos que ocorreram no Rio”. 

Nas redes sociais

Famosos também comentam a morte da vereadora.

 

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