Wilton Junior/AE
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Corpo é encontrado dentro de carrinho de supermercado no Rio

Com marcas de tiro, homem morto foi achado após denúncia anônima em um acesso ao morro dos Macacos

Fabiana Marchezi, da Central de Notícias, e Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

20 de outubro de 2009 | 15h09

O corpo de um homem foi encontrado por policiais militares na tarde desta terça-feira, 20, dentro de um carrinho de supermercado na Rua Senador Nabuco Luiz Barbosa, um dos acessos ao morro dos Macacos, na zona norte do Rio. Segundo a PM, o corpo, ainda não identificado, tem marcas de tiros e foi localizado após uma denúncia anônima.

 

A violência que assustou o Rio no fim de semana encerrou o período de euforia do governador Sérgio Cabral (PMDB) e de seus aliados pela escolha da cidade como sede da Olimpíada de 2016. A morte de 17 pessoas, entre as quais três policiais, evidenciou a fragilidade da política de combate à violência, marca comum dos últimos governos fluminenses, e retraiu as avaliações de que Cabral havia obtido pontos importantes na tentativa de ser reeleito em 2010. Também deixou clara a dificuldade de se apresentar projeto consistente para a segurança pública, apontada em pesquisa recente como o ponto mais deficiente do governo Cabral.

 

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"As pessoas acharam que a escolha do Rio teria decretado a redenção do governo de Sérgio Cabral, que vai disputar a eleição do ano que vem. Mas duas semanas depois os acontecimentos praticamente anularam esse ganho", diz o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS). Levantamento do instituto realizado entre 18 e 20 de setembro com 2.006 entrevistados no Estado apontou a segurança pública como item mais mal avaliado do governo Cabral, com nota 3,1 (na cotação de zero a dez).

 

O pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carlos Eduardo Sarmento diz que um episódio como o do fim de semana em um período eleitoral "seria devastador". No entanto, avalia que, sem um adversário político de peso no Rio que insista na crítica ao governo Cabral, a tendência é de que a repercussão negativa acabe esquecida.

 

"A repercussão é de curto prazo, pois o prefeito Eduardo Paes e o presidente da República são aliados do governador e não vão prolongar essa discussão. A opinião pública quer respostas imediatas, mas começa a perceber que a segurança pública não tem solução milagrosa. Cabral se beneficia da escolha do Rio para a Olimpíada, mas sabe que no boletim de seu governo o controle da violência não tem as melhores notas", diz Sarmento.

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