Corpos chegam hoje a Noronha

Número de bilhete encontrado no mar foi confirmado pela Air France

Monica Bernardes, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2009 | 00h00

A Aeronáutica confirmou ontem a localização e o resgate de dois corpos do sexo masculino e vários objetos pertencentes ao voo 447 da Air France, que desapareceu na noite de domingo na rota Rio-Paris, com 228 pessoas. Foram encontradas também parte de uma asa e poltronas do Airbus. As equipes chegaram ao local e realizaram os primeiros recolhimentos no início da manhã de ontem, sexto dia de buscas.   Assista ao vídeo do resgate Os corpos e os objetos foram resgatados principalmente entre as 8h14 e 11h13 pelos tripulantes da corveta Caboclo, da Marinha brasileira. A previsão é que o material chegue hoje ao Arquipélago de Fernando de Noronha, onde passará por perícia inicial e catalogação, e depois seja encaminhado para o Recife. O primeiro anúncio do resgate foi feito pelo coronel Jorge Amaral, vice-chefe do Centro de Comunicação da Aeronáutica, na sede do Cindacta III, no Recife, no início da tarde de ontem. "Por volta das 5 horas, durante um voo de varredura, a aeronave R-99 localizou alguns pontos de destroços e solicitou o envio de outro avião para tentar o contato visual. Por volta das 8 horas, a aeronave C-130 confirmou a visualização", disse Amaral. A Caboclo foi encaminhada para a área e às 8h14 começou o resgate. A área onde o material foi localizado está a 849 quilômetros de distância de Fernando de Noronha e a 69,5 km a sudoeste do local do último comunicado emitido pelo Airbus no domingo.A sequência do resgate, de acordo com o Comando da Aeronáutica, foi a seguinte: às 8h14, foi retirada uma poltrona azul, com número de identificação 237011038331-0. A Air France foi chamada para confirmar se ela pertence ao avião, mas a cor indica que sim. Às 9h10, foi avistado o primeiro corpo no mar, que foi resgatado 20 minutos depois. Às 9h50, uma mochila da marca Targus, contendo um cartão de vacinação, também foi levada a bordo. Às 10h18, foi encontrada uma pasta de couro, com o bilhete 0334N0302730W da Air France dentro (a companhia já confirmou a numeração). Às 11h13, foi retirado do mar o segundo corpo. As bolsas encontradas estavam identificadas, mas, segundo a Aeronáutica, não pertencem necessariamente aos corpos resgatados.Após a descoberta, a Marinha deslocou outros quatro navios à região, entre eles a fragata Constituição e o navio patrulha Grajaú. No momento da localização, eles estavam a menos de 120 quilômetros do local. "Reorientamos a área de buscas em função dos achados e cálculos feitos a partir da movimentação de correntes marinhas", explicou o vice-almirante Edison Lawrence, comandante do 3º Distrito Naval. Por volta das 14 horas, o material que estava a bordo da corveta foi transferido para a fragata, que, por ser mais veloz, vai transportá-los a uma área mais próxima de Fernando de Noronha. Quando estiver a 300 km da ilha, um helicóptero será enviado à embarcação.NOVOS DESTROÇOSA Aeronáutica e a Marinha realizaram nova coletiva às 19h30, quando informaram que foram achados novos destroços, incluindo "poltronas" - sem precisar quantas - e parte de uma asa. Os militares não deram detalhes, como o local onde foram recolhidas as outras peças e em qual horário. Tampouco passaram informações sobre os corpos. "O estado dos corpos não será apresentado", disse o coronel Henry Munhoz. Apesar da presença de cinco peritos da Polícia Federal no arquipélago, de acordo com Lawrence, corpos e objetos localizados passarão "pouco" tempo na ilha. "Estamos separando e fotografando tudo o que está a bordo e as imagens estão sendo repassadas aos centros de operação de busca, no Brasil, e de investigação, na França."Durante o anúncio, autoridades aeronáuticas fizeram questão de destacar o papel do R-99, aeronave equipada com radar capaz de rastrear e identificar objetos a longa distância, no mar e na terra.À noite, a Air France divulgou nota expressando "sua emoção e compaixão" às famílias dos passageiros e tripulação do voo 447 e agradecendo às autoridades brasileiras e francesas pelos esforços de busca, apesar das difíceis condições climáticas.

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