Corpos de vítimas do vôo da TAM começam a chegar a Porto Alegre

A chegada nesta quinta-feira a Porto Alegre do primeiro corpo de uma das vítimas fatais do acidente com um Airbus da TAM aumentou a comoção na capital gaúcha, abalada pelo desastre com o vôo 3054, o pior da história da aviação do país. O Airbus A320, que fazia o trajeto Porto Alegre-São Paulo com 186 pessoas a bordo, sofreu o acidente na terça-feira. Ao tentar aterrissar na pista molhada do aeroporto de Congonhas, o avião atravessou uma avenida movimentada da capital paulista, se chocou contra dois prédios e um posto de gasolina e explodiu. "Isso tudo (a identificação dos corpos) ainda leva uns 15 dias e com a chegada das outras vítimas vai ficando cada vez mais difícil", disse à Reuters Sady Ros, amigo de Luiz Souto Pinto, cujo corpo estava sendo velado nesta quinta-feira. Souto Pinto era gerente comercial do SBT na Região Sul. Gaúcho de São Gabriel, tinha 53 anos e dois filhos. Viajou a São Paulo junto com o colega de trabalho João Roberto Brito para visitar clientes. Pelas informações dadas à família, a identificação teria sido feita a partir de documentos que estavam junto ao corpo e não foram danificados pelo fogo. A família espera a volta do filho de Souto, que está na Austrália, para realizar o enterro, previsto para sexta-feira, em cerimônia privada. Um dos momentos de maior dificuldade no velório foi a chegada da mãe de Souto, Geneci Pinto, 82 anos. "Parece que a ''ficha'' ainda não caiu. Estamos fazendo tudo no embalo e sem dormir direito. A partir de segunda-feira vai ficar difícil", disse Ros. Os corpos das outras vítimas também devem ser transportados pela TAM e recebidos pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul e entregues aos familiares, no antigo terminal do Aeroporto Salgado Filho. O esquema inclui uma equipe de apoio com psicólogos e policiais militares. LUTO O luto pelas vítimas do vôo da TAM atinge diretamente boa parte dos gaúchos, pois havia passageiros de diversas regiões do Estado. Além do deputado federal do PSDB Júlio Redecker, cujo corpo seria transferido para Porto Alegre ainda nesta quinta-feira, estavam entre as vítimas do Estado executivos do setor vinícola, quatro funcionários da Gerdau, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Attilio Bilibio, o ex-diretor do Clube Internacional Paulo Amoretty, entre outros passageiros. Na quarta-feira, enquanto os familiares embarcavam para São Paulo para ajudar no reconhecimento dos corpos, a tragédia foi lembrada durante missas realizadas em memória das vítimas. Para o motorista de táxi que encontrou clientes na lista de vítimas, o acidente teve reflexos em seu cotidiano. "É um trauma. Agora, fica uma sensação ruim quando deixo um passageiro no aeroporto", disse Adão da Silveira.

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