Corpos e objetos passaram por muitas mãos

Policiais, funcionários da Funai, índios e mateiros participaram do resgate

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2005 | 00h00

No trajeto entre o local do acidente do Boeing da Gol, em Mato Grosso, em meio à mata virgem de 40 metros de altura, e o galpão montado pela empresa aérea em Brasília, passando antes pelo Instituto Médico-Legal (IML), os corpos e os pertences dos passageiros do vôo 1907 passaram por muitas pessoas. Foram tantas que nenhuma autoridade militar ou dirigente da empresa aérea sabe precisar a quantidade.Primeiro, a região onde caíram os destroços do avião foi isolada pela Aeronáutica. O trabalho ficou por conta do Esquadrão Aeroterrestre de Resgate e Salvamento da Força Aérea, o Para-Sar. Depois, funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) intermediaram a seleção de 22 guerreiros caiapós, caiabis e jurunas que foram autorizados pela Aeronáutica a participar da missão de resgate. Quando os índios voltaram para suas aldeias, a operação já havia recebido o reforço de 80 soldados do Exército.ACESSOAlém de brasileiros civis e militares, índios e mateiros, bombeiros, policiais civis, médicos legistas, funcionários da Gol, representantes do Ministério Público e técnicos estrangeiros participaram da operação.Os estrangeiros eram funcionários da Blake Emergency Services, empresa inglesa responsável pela desinfecção e higienização dos objetos das vítimas.A chefe do Departamento Jurídico da Gol, Carla Coelho, informou que os técnicos da Blake ficaram quase um mês em Brasília cuidando da desinfecção de todo o material.''''Fizemos isso seguindo uma norma internacional'''', explica Carla, ao frisar que foi o trabalho da Blake que permitiu à Gol devolver aos parentes roupas limpas e passadas que os soldados da Aeronáutica haviam recolhido na selva em péssimas condições, muitas delas sujas de sangue.''''Isso é feito no mundo todo, em caso de tragédias como a que ocorreu no Brasil, antes de as famílias começarem o reconhecimento e a vistoria dos pertences.'''' Tudo havia sido depositado sob a guarda do Ministério Público do Distrito Federal.A presidente da Associação dos Familiares e Amigos do Vôo 1907, Angelita de Marchi, recorda que, no impacto da tragédia, o que mais torturou os parentes das 154 vítimas do acidente com o Boeing da Gol foi a angústia da espera pela localização e identificação dos corpos. ''''Ninguém tinha a expectativa de recuperar todos os pertences de seus familiares'''', diz Angelita, viúva de Plínio Luiz de Siqueira Júnior, de 38 anos.Passados dez meses, no entanto, são as dúvidas sobre o paradeiro de telefones celulares, documentos e objetos de valor das vítimas que atormentam a presidente da associação e centenas de outros parentes de vítimas do vôo 1907.

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