Ricardo Araujo
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Corpos foram jogados na fossa da cadeia

Mortos durante rebelião em Natal deverão passar a noite em uma carreta frigorífica; estimativa é de que as identificações ocorram a partir desta segunda-feira

Ricardo Araujo, Especial para O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2017 | 19h20

NATAL - A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte confirmou, no final da tarde deste domingo, que 27 presos foram mortos na rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz e no Pavilhão Rogério Coutinho Madruga, nos arredores de Natal. Alguns cadáveres foram encontrados dentro de uma fossa em frente ao Pavilhão 4 de Alcaçuz, onde a maioria dos apenados foi morta. Nele, cerca de 200 homens circulavam soltos, pois as celas estão destruídas desde março de 2015. 

A remoção dos corpos para o Instituto Técnico de Perícia (Itep-RN) começou a ser feita em caminhonetes abertas. Os corpos estão acomodados em sacos mortuários e deverão passar a noite numa carreta frigorífica que esteve estacionada ao lado da sede do Instituto, mas por motivos de segurança seguiu para o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, na zona Leste da capital potiguar, onde permanecerá até a manhã desta segunda-feira, para início do procedimento de identificação dos mortos no Itep.  

A estimativa é de que as identificações ocorram a partir desta segunda-feira, 16, quando os familiares apresentarão documentos e fotografias dos presos assassinados. A maioria dos mortos foi decaptada e há muitos esquartejados. 

O número de vítimas fatais, porém, pode ser maior. A listagem nominal das vítimas ainda não foi divulgada. Grande parte dos mortos foi identificada pelos apelidos, a partir da ajuda de outros colegas de cela sobreviventes ao ataque da facção rival. 

Entidades ligadas à Defesa dos Direitos Humanos buscam obter mais detalhes quanto ao número de mortos, pois os familiares dos detentos acusam o governo do Estado de omitir informações. 

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